Existe um acordo não assinado na imprensa proibindo a divulgação de suicídios. Eles acontecem, diariamente, aos milhares, pelo mundo afora, e ninguém fica sabendo. Eu respeito e entendo os motivos, mas tudo tem limites. Recentemente, eu e minha família vimos dois enforcamentos – coisa da Idade Média. Um deles, horroroso, na passagem para pedestres da Br-zero quarenta.
Esta cortina hipócrita de silêncio foi quebrada pela jornalista Paula Fontenelle, com a publicação do livro “Suicídio: o futuro interrompido”, editado pela Geração Editorial. O Ministério da Justiça divulgou, mês passado, o novo Mapa da Violência no Brasil, onde registra um aumento na taxa de suicídio no Brasil, especialmente com os jovens entre 15 e 24 anos. Baseado em pesquisas com especialistas de vários países do mundo, a jornalista tem uma postura preventiva sobre o assunto. Ela relaciona os sinais mais comuns, os fatores de risco e, com depoimentos comoventes e histórias de superação, o livro traz exemplos de como se aproximar dessas pessoas e o que fazer para evitar o pior.
Defende também a quebra do silêncio, para que o suicídio possa ser enfrentado sem preconceitos ou medos. Com recomendações internacionais, Paula dá exemplos de coberturas adequadas e o que se deve evitar ao escrever sobre a morte voluntária. Outra coisa que o livro não fala: temos que acabar com esta hipocrisia. Basta teclar esta palavra no google para ler os piores conselhos e as hístórias mais terríveis.
Quebrar o tabu sobre o suicídio é uma opção pela vida. Tomara que os veículos de comunicação reflitam sobre isso com a publicação do livro “Suicídio: o futuro interrompido”, de Paula Fontenelli.