Eu acho que eu sou um grafólogo reprimido. Tenho uma enorme curiosidade em conhecer a letra de escritores e escritoras que admiro. E, é claro, saber o que eles colocam nas dedicatórias dos livros. Como se fosse possível entender a poesia do Vinícius através daquela letra bonita, redonda, de diplomata. Ou alguma nova revelação no garrancho nervoso da Clarice Lispector.
Eu fiz, para vocês, uma espécie de coletânea.
Rubem Braga, Chico Buarque e Mário Vargas Llosa são da turma que só colocam “ao fulano, com um abraço”. Manuel Bandeira terminava uma dedicatória com um invariável “com amizade”. A saudosa Zélia Gattai acrescentava um “com carinho e um beijo”. Aníbal Machado, autor dos maravilhosos “João Ternura” e “Cadernos de João”, escrevia “com toda a simpatia”. Pedro Nava incluía um “muito afetuosamente”. E Cyro dos Anjos, “com admiração e simpatia”.
Mas lindo era Chico Xavier. Ouçam o que ele escreveu para uma amiga: “à querida irmã, nossos corações na amizade de sempre”. E desenhava flores e corações por toda a página. Uma moldura de alegria e encantamento. Como era Chico Xavier.