fbpx

Realidade democrática brasileira

8 de outubro de 2020

Por Marina Vidal (*)

O Sempre Um Papo recebeu os historiadores e escritores Newton Bignotto e Heloisa Starling para o debate e lançamento do livro de Bignotto “O Brasil À Procura Da Democracia: Da Proclamação Da República Ao Século XXI (1889-2018)” – Editora Bazar do Tempo. Essa foi mais uma edição do projeto que está acontecendo de forma virtual, devido à pandemia do Covid-19. A conversa foi mediada pelo jornalista Afonso Borges, no dia 8 de outubro de 2020, sendo transmitida pelo Youtube, Facebook e Instagram do Sempre Um Papo.

O livro de Newton Bignotto surgiu de um projeto acadêmico que foi transformado para a versão literária. “Não esperava que o livro viesse a sair nesse momento tão doloroso para nós”. A missão do autor era analisar a democracia brasileira e seu futuro. “O que me motivou foi pensar o Brasil com olhos abertos para a sua particularidade, para a nossa riqueza histórica e riqueza do nosso pensamento”.

De acordo com Heloisa Starling a obra é extraordinária por duas razões: “Primeiro porque é o único livro que faz um percurso da história e das ideias democráticas do Brasil, que eu conheço. E, por causa do percurso, ele é inédito porque mostra como nós construímos o conceito de democracia e como pensamos a democracia”. Conforme apresentado pelo livro, Heloisa entende que a democracia no Brasil é vista sempre como fraca, limitada e instável. “Ela é sempre vista em negativo, inclusive, é por isso que nós não temos nenhum livro sobre a história da democracia a não ser o percurso que Newton fez agora”.

O autor concorda com a historiadora e afirma que seu livro não é de polêmica, mas de construção. “Eu tive essa ambição de mostrar e de percorrer, junto com outros autores, uma história de reflexão, que não é uma história vazia. Nós estamos tão acostumados a dizer que o povo brasileiro não participa, que a gente apaga com isso uma parte da nossa história”. Ele lembra que existem vários pensadores e historiadores brasileiros, porém não são lembrados e estudados. “Por isso, ao construir o livro, meu ideal era seguir junto com os nossos pensadores a nossa própria história. A minha pegada é tentar pensar o Brasil com o Brasil”.

Os convidados ainda abordaram a tendência da democracia brasileira atual, da queda de instituições democráticas. Segundo Newton, elas tendem pelo seu processo natural a se desorganizar. “As instituições antes de colapsar totalmente, começam a se desorganizar no papel que elas deveriam ter na manutenção do Estado democrático”. De acordo com Heloisa, essas instituições não conseguem se defender sozinhas e não têm apoio social e, por isso, entram em erosão. “No caso de hoje, há um processo de destruição da democracia que é um mecanismo de corrosão por dentro das instituições democráticas”.

Heloisa retomou uma noção do livro de Newton, na qual o fascismo voltou a fazer parte da vida política brasileira, em função da ideologia e da cultura, que está contido nas sociedades de massa. Isso ocorre, como informou Newton, em razão de estarmos passando por um momento de desinformação e a ideologia não demanda contradição. “Você reconstrói um jeito de olhar para o mundo que aparentemente é lógico, mas que não se coloca à prova, não está enraizado”.  

Para concluir o debate, Heloisa deixou claro que não existe democracia plena.  “Há duas questões que ameaçam a democracia no momento atual: continuar no processo de construção democrática e que ela está em risco no Brasil, e essa é uma questão importante que nós temos que nos dar conta”. A historiadora também problematiza a falta dessa atenção por vários setores da sociedade.

Essa conversa na íntegra pode ser assistida nas redes sociais do projeto, Instagram e Facebook e no canal do Sempre um Papo no Youtube, por meio do link: https://www.youtube.com/watch?v=ex_7JQbC3ZQ

(*) – Estagiária sob supervisão de Jozane Faleiro

[fbcomments]