Poesia perde Bruno Tolentino

Morreu na manhã de hoje em São Paulo o poeta Bruno Tolentino. Ele estava em coma na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Hospital Emílio Ribas e apresentava quadro infeccioso grave. Tolentino participou do Sempre Um Papo, no ano passado, quando lançou seu último livro “A Imitação do Amanhecer”, em Belo Horizonte e Brasília. Em nosso site, é possível assistir ao programa de TV gravado na capital federal. Assista aqui!

Bruno Tolentino nasceu no Rio de Janeiro em 1940. Filho de família tradicional, deixou o Brasil no ano do golpe militar (1964) para viver na Europa, onde morou 30 anos. Um ano antes, publicou seu primeiro livro de poemas, “Anulação e outros reparos”, que recebeu o Prêmio Revelação de Autor. No juri, nomes como de Manuel Bandeira e Lêdo Ivo.

Por 11 anos, Bruno ensinou literatura em Oxford e também foi professor em Essex. Publicou livros de poesia em inglês e francês. Autor de extensa obra, em 1994, lançou no Brasil “As horas de Katharina”, que recebeu o prêmio Jabuti, e, em 1995, “Os deuses de hoje” e “Os sapos de ontem” (polêmico ensaio contra o Concretismo).

No ano seguinte, sairia “A balada do cárcere”, que recebeu o prêmio Cruz e Sousa. Um de seus últimos trabalhos, “O mundo como idéia” reúne 40 anos de sua produção poética. A obra foi publicada pela Editora Globo em 2002 e ganhou o prêmio Jabuti no ano seguinte.

Tolentino recebeu elogios de importantes escritores europeus como W. H. Auden, Yves Bonnefoy, Giuseppe Ungaretti, Saint-John Perse e Jean Starobinski. No Brasil, sua obra foi reconhecida por Antônio Houaiss e João Cabral de Melo Neto e por críticos como José Guilherme Merquior.

:: Rafael Araújo