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Na trilha da História

17 de setembro de 2021

Por Laura Rossetti (*)

O Sempre Um Papo do dia 16 de setembro, quinta-feira, recebeu os escritores Ana Medina e José Maria Medina para falar sobre seus livros, “Pelas Veias Do Tempo” e “O Anel De Veneno e Outras Histórias”, respectivamente. Durante o  bate-papo foram abordadas as inspirações para os livros e a relação deles com fatos históricos, além da trajetória pessoal dos autores. A transmissão da live aconteceu às 19h, através das redes sociais do Sempre Um Papo.

Ana Medina iniciou a conversa falando sobre seu despertar para a escrita. Ela acredita que muito do que expressa em seus livros advém de seu próprio conhecimento teórico e profisional. A autora é formada em Ciências Sociais e História, mestre em Ciências Políticas e trabalhou em instituições como a Secretaria de Estado da Educação e a Fundação João Pinheiro. “Esse trabalho de campo, ao lado de uma paixão pela História é que me deu muita bagagem para depois gostar de escrever”, afirma.

Seu romance “Pelas Veias Do Tempo” versa sobre a vida de uma família de coroneis e latifundiários que mora em Minas Gerais. “(O livro) é um mergulho que eu faço no interior das minas”, declara Ana Medina. Com o fim do ciclo do ouro, os protagonistas da história perdem seu poder aquisitivo e sua influência política na sociedade. Apesar disso, a família mantém ares de superioridade e permanece orgulhosa de seu sobrenome.

Além de “Pelas Veias Do Tempo”, Ana falou sobre seu livro “Donzelas Para Povoar”, baseado na história real de mulheres espanholas que, em 1550, a mando do rei, foram enviadas em uma expedição para povoar o Paraguai, onde os espanhois estavam formando famílias com as índias nativas. A ideia para a trama do livro surgiu inesperadamente quando a autora estava fazendo uma pesquisa na Biblioteca Nacional, no Rio de Janeiro. “Lá eu descobri que essa expedição era a mesma expedição do Hans Staten (viajante alemão que se tornou conhecido pelos seus relatos), que não fala uma palavra sobre as mulheres espanholas que estavam no navio”.

Em seguida, foi a vez de José Maria Medina contar sobre seu livro “O Anel De Veneno e Outras Histórias”. O título faz referência a um anel – vindo de Gibraltar, na Europa – que possui cerca de 300 anos e pertence ao autor. A obra é uma junção de fatos históricos, lembranças e situações vividas por José Maria, que nasceu em Buenos Aires e se mudou para o Brasil no final da década de 70. “O livro, em realidade, é um conjunto de dados sobre dois mundos: o mundo que eu vivi na Argentina até 1978 e o mundo que eu vivi (no Brasil) até hoje”, afirma.

Entre os temas abordadas no livro, ele dá o exemplo das invasões inglesas que ocorreram em 1806, em Buenos Aires, e que eram totalmente desconhecidas no Brasil. O objetivo da invasão era assumir o controle da capital. Quando a primeira tropa de militares ingleses foi derrotada pelos argentinos, o governo da Inglaterra enviou outra tropa cinco vezes maior, mas esta também não obteve êxito. O fato de terem vencido duas vezes a Inglaterra, que era a maior potência da época, suscitou entre os argentinos a consciência de que eles poderiam se tornar independentes. “Esta situação configura-se nos livros de história como a inauguração do país”, aponta o autor.

Por outro lado, José Maria também aborda no livro muito de sua experiência pessoal. Ele conta, por exemplo, que, em 1960, foi soldado na Argentina “não por decisão prória, mas por serviço militar obrigatório”. Depois disso, estudou Sociologia, na Universidade de Buenos Aires, onde também lecionou por um período, ocupou cargos de gestão e realizou um seminário com o educador e filósofo Paulo Freire.

Esta foi uma edição do #SempreUmPapoEmCasa, com acesso gratuito e tradução simultânea em Libras. Acesse a gravação completa da conversa nas redes sociais do Sempre Um Papo: Instagram, Facebook e YouTube.

*Estagiária sob a supervisão da jornalista Jozane Faleiro

Frases

“A gente ‘tira de dentro da gente’ tudo aquilo que a gente vai vendo, vai vivenciando, vai acumulando” – Ana Medina

“Nós não decoramos o improviso direito” – Ana Medina

“A radicalidade da transformação de vida resultou em literatura” – Afonso Borges

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