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Muitas Minas dentro de Minas: cultura e história dos vales do Jequitinhonha e Mucuri no #SempreUmPapoEmCasa

18 de setembro de 2020

Rafael Avelino e Rubinho do Vale  comentam a importância das produções locais para a criação de um sentimento de pertencimento

A jornalista Jozane Faleiro recebeu, no dia 15 de setembro de 2020, o cantor e compositor Rubinho do Vale e o escritor e organizador do projeto “Tertúlia dos Vales” Rafael Avelino para falar sobre a região dos vales do Jequitinhonha e do Mucuri, onde nasceram. A conversa foi ao vivo e transmitida no Youtube, Facebook e Instagram do projeto Sempre Um Papo, como parte do #SempreUmPapoEmCasa.

Rubinho, que carrega no nome artístico a cidade que o recebeu aos nove anos, Rubim, no Vale do Jequitinhonha, conta que tem usado o tempo livre em casa, por conta da pandemia de Covid-19, para revisitar memórias do passado. “Tenho visto coisas que produzi nos anos 70, 80… E também estou fazendo exame de consciência, procurando paciência e me agarrando na arte”. No ócio criativo e na possibilidade de acessar coisas que antes a falta de tempo impedia têm se ancorado os dias de quarentena de Rafael Avelino. “Confesso que tem sido muito difícil produzir, escrever, pesquisar, mas entendo que isso é parte do processo e do momento que estamos vivendo”. 

Nascido em Teófilo Otoni, no Vale do Mucuri, Rafael é formado pela Universidade Federal do Vales do Jequitinhonha e Mucuri e lá, incentivado por uma professora que propunha repensar o espaço da universidade, o economista e outros colegas começaram a reunir produções que depois vieram a formar o livro “Tertúlia dos Vales”. “A Universidade Federal tem uma simbologia muito forte de potencializar o que já tem na região [dos vales]. Foi fundamental encontrar no espaço de uma universidade pública para além do espaço dos nossos cursos”, comenta Rafael. O título é o retrato do que os autores gostariam que fosse feito: rodas de conversa para debater as histórias contidas na produção.

Na relação próxima com professores e alunos também estão as músicas de Rubinho do Vale, que há mais de 30 anos entra em salas de aula para cantar e contar. “Não me acho escritor, sou um inventador de música”. Apesar disso, um projeto que deve ser lançado em 2021 e está sendo preparado há mais de 10 anos é justamente para levar a literatura para as gerações mais novas, com o lançamento de três livros infantojuvenis. “Me sinto cada vez mais com um coração de criança, quando faço música para criança eu faço música para a criança que há dentro de mim”, revela o compositor. 

Tanto Rafael quanto Rubinho tem uma vida muito ligada à região do norte de Minas. O compositor esclarece que quando começou a fazer música ele queria conhecer mais sobre o alto e médio Vale do Jequitinhonha. “O vale é um país dentro de Minas Gerais, que é outro país”. Rubinho também se vê como um porta voz do Vale e tenta, através de suas músicas, mostrar como o Norte de Minas, Nordeste e Mucuri. Dessa forma, acredita no pontencial de mudar a imagem que as pessoas sempre tiveram da região. “Cantar minha terra é uma paixão”. Rafael demonstra a importância de conhecer também sobre os vizinhos, aqueles que vieram antes. “Eles são importantes para mostrar e fazer ser um orgulho da região. Além de trazerem uma sensação de pertencimento.”

Avelino ressalta a importância do trabalho da Academia de Letras de Teófilo Otoni que faz um trabalho de documentação e resgate da cultura da região pensando na pesquisa para resgatar as origens da região e entender como a cultura local é fruto de um combinado de fatores e pessoas: do trem que passava, do povo negro, dos índios que já estavam ali, os europeus que vieram. Ele também comenta sobre a importância de pessoas como Rubinho, que acreditam na educação. “São essas pessoas que fazem uma diferença gigante na nossa região e temos que agradecer muito a esses precursores sobre do trabalho que é feito. São os pais e professores que reproduzem para as novas gerações”, lembra Avelino. Inclusive, como contou Rafael, há planos da Academia de Letras de Teófilo Otoni homenagear Rubinho por todo o trabalho de divulgação da cultura da região do Vale, feitas desde o início da sua carreira. “Estamos só esperando a pandemia acabar e vamos marcar esse encontro aqui na cidade”, adiantou. 

A conversa aconteceu de forma remota, por causa da pandemia de Coronavírus. No canal do Youtube, no Facebook e Instagram do Sempre Um Papo é possível rever  este encontro. 

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