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Marina Colasanti – O florescer e o desabrochar da vida

20 de outubro de 2020

Texto: Marina Vidal – estagiária sob supervisão

O Sempre Um Papo recebeu Marina Colasanti para o debate e o lançamento dos livros “Mais Longa Vida” e “Mais Classificados E Nem Tanto” (Ed. RECORD). Esta foi mais uma edição do projeto que está acontecendo de forma virtual, devido à pandemia do Covid-19. A conversa foi mediada pelo jornalista Afonso Borges, no dia 20 de outubro de 2020, sendo transmitida pelo Youtube, Facebook e Instagram do Sempre Um Papo.

No encontro, Marina Colasanti contou que, apesar da pandemia, ela está se sentindo feliz porque suas orquídeas brancas estão no período de floração. “Estou me sentindo rica porque eu sei que muita gente está trancafiada em casa sem essa visão, sem essa possibilidade de floração”. O momento atual não atrapalhou sua inspiração, mas ela contou que está realizando a tradução de vários livros, por isso tem pouco tempo disponível para a produção. “Não tenho tido link para acessar o imaginário, para acessar o fantástico, para acessar o inconsciente, criar está difícil”, afirmou.

Marina também conta que a Editora Planeta está com um livro seu aguardando para ser publicado. “Esse livro é dedicado à minha tia-avó que era sempre uma personalidade assombrosa, dominante, aonde ela chegasse era sempre a primeira a ir embora se não fosse a última a chegar”. Ela ressalta também sobre a casa de sua tia, localizada no Parque Lage, onde Marina morou por um tempo. “Eram tempos mais felizes no Rio de Janeiro, a gente achava que o Rio iria decolar, que o Brasil iria ser o país do futuro. Que país do futuro? Fomos enganados, quebramos a cara”, relatou.

A convite de Afonso Borges, a escritora falou sobre seu livro “Mais Longa Vida”. “É um livro que demorou muito para ser feito porque a poesia tem um tempo de amadurecimento, de ficar no tonel, é como vinho, precisa de um tempo de distanciamento, que a gente tem que esquecer o poema para voltar para ele como se o visse pela primeira vez”, explicou Marina sobre a importância de fazer consertos em suas obras. O livro foi lançado no princípio da pandemia com uma noite de autógrafos virtual. “Ele é muito importante porque tem uma conversa frente a frente, olho no olho com a morte, tem uma conversa com a finitude, que eu acho muito delicada”.   

A convidada também leu poemas de sua obra “Mais Classificados E Nem Tanto”, repleta de pequenos poemas. “Ao transgredir de gêneros aprendo mais, a diversidade me afia um sentimento. Cada gênero tem uma embocadura especial, cada gênero me exige um olhar diferente, mas todos esses olhares passam pelo filtro que sou eu. Preciso mudar de gênero para me realimentar, para não ficar no mesmo. Sempre estive em trânsito”.

A linguagem sempre foi muito importante para Marina Colasanti, o que pode ser vislumbrado em suas obras. “Eu fiz uma escolha logo no princípio, no primeiro livro, uma escolha da forma, não queria contar uma história da forma usual”. Essa obra aborda a solidão, que para ela, está presente durante toda a vida. “Fiz uma escolha de linguagem despida, nunca quis enfileirar adjetivos como se fossem contas de um colar, sempre que posso elimino adjetivos e pronomes. Tiro tudo que me parece desnecessário e procuro dizer de uma maneira diferente a passagem do tempo e pintar de outra maneira as estações e o amanhecer”.

Portanto, é visível a necessidade e a presença da literatura, principalmente da poesia, na vida de Marina. “Eu acredito, e por isso fiz cinco livros de poesia para crianças, que a poesia, quando a encontramos na infância, ela gruda na gente para sempre, porque eu tenho essa experiência. Comecei a ler, a me interessar e fazer poesia quando tinha oito anos. No pós-guerra, minha avó comprava para mim uma revistinha semanal que na última página tinha histórias em quadrinhos metrificadas e meu pai dizia poesia para mim, ele gostava de poesia”, explicou a autora. Ela confia que esses motivos contribuíram para a poesia desabrochar em sua vida.

Essa conversa na íntegra pode ser assistida nas redes sociais do projeto, Instagram e Facebook e no canal do Sempre um Papo no Youtube, por meio do link: https://www.youtube.com/watch?v=WKBJ5Ym6Qbc&t=3410s

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