“Eu que amo tanto”, de Marília Gabriela, é um livro perturbador. À primeira leitura, é um livro que relata os amores alucinados e tristes de 13 mulheres. Em tom confessional, elas falam do amor que mata, do amor que queima, do amor que deprime, que enlouquece, destrói, do amor que engana e é enganado. Tudo na primeira pessoa, num relato que se aproxima do ficcional, tão grande é força dos acontecimentos, todos reais.
E de repente, o livro nos pega, como uma flecha preta no centro do coração. Não há quem não se identifique com as narrativas comoventes, carregadas de significados, de sensações, de emoções. Separados em palavras curtas, como sexo, Deus, desespero, expectativa, pânico, o livro vem ilustrado com fotos de Jordi Burch. Leiam “Eu que amo tanto”, de Marília Gabriela e vejam-se refletidos ou refletidas, no espelho turvo das paixões. De preferência, ao som de “Canção do Amor Demais”, de Vinícius e Tom, que diz:
“Quero chorar porque te amei demais
Quero morrer porque me deste a vida
Oh meu amor, será que nunca hei de ter paz
Será que tudo que há em mim
Só quer sentir saudade
E já nem sei o que vai ser de mim
Tudo me diz que amar será meu fim
Que desespero traz o amor
Eu nem sabia o que era o amor
Agora sei porque não sou feliz”