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Literatura – saber com sabor

26 de novembro de 2020

Por Marina Vidal (*)

O Sempre Um Papo recebeu a ministra do Supremo Tribunal Federal (STF), Cármen Lúcia, para falar sobre o tema “Penas, Papéis e Poemas”. Esta foi mais uma edição do projeto que está acontecendo de forma virtual, devido à pandemia do Covid-19. A conversa foi com o jornalista Afonso Borges, no dia 25 de novembro de 2020, sendo transmitida pelo Youtube, Facebook e Instagram do Sempre Um Papo.

A motivação principal desse encontro foi por ser a data de 25 de novembro o Dia Internacional do Combate à Violência Contra a Mulher. A ministra Cármen Lúcia explicou que, em 2020, a violência contra a mulher ficou mais escancarada por causa da pandemia, principalmente no que se refere a violência doméstica, porque, devido ao isolamento social, as mulheres precisaram ficar dentro de casa com seus agressores sem poderem sair. “Uma série de medidas foi adotada, mas nos primeiros quatro meses, no caso brasileiro, a gente teve um aumento em alguns estados de até 38% das notificações de violência contra mulheres”.

Cármen Lúcia discorreu sobre a Lei Maria da Penha e como a luta de uma mulher foi fundamental para a garantia do direito de outras. “O papel da Maria da Penha é de extrema importância e a conquista dela é de todos. As mulheres que foram violentadas estão saindo do silêncio a que foram reduzidas”. A ministra acredita na educação como forma de reestruturar a sociedade. “Tudo se aprende, amor se aprende, ódio se aprende, cuidados com o outro se aprende, honestidade se aprende, corrupção de aprende. Mas é preciso que a gente dê uma chance ao ser humano e o ensine”.

A educação, além de ser um direito constitucional, promove libertação e a cultura descreve os fatos humanos. “A história do ser humano é feita, refeita, inventada, reinventada, criada, recriada, passada de geração em geração, culturalmente. Se você pegar qualquer dado cultural você tem o relato de um tempo. A educação é fundamental e a cultura fornece o caldo do que foi para eu não ter que refazer a história do ser humano para sempre no mesmo lugar”, argumentou a ministra. Cármen Lúcia mencionou que está escrevendo um trabalho de direito sobre a expressão como liberdade. “Porque nós discutimos liberdade de expressão e é uma grande conquista. Mas agora com as tecnologias e as redes sociais começa a se discutir nos tribunais constitucionais qual é o limite da liberdade de expressão”.

O papel das bibliotecas no incentivo à leitura, principalmente na infância, também é uma preocupação da ministra do STF. “Eu quero que todas as escolas brasileiras tenham uma biblioteca de livros, não estou dizendo livro físico, não elimino as novas formas de leitura. Eu acho que todo ser humano tem o direito de ter acesso a um livro de literatura”. Cármen Lúcia acredita que a educação cultural desperta a imaginação, o pensamento crítico e a felicidade, “Se a criança vai ao museu ela cresce vendo grandes obras, vendo o que é uma pintura, vendo o que significa isso, como chama o centro de luz que a gente tem dentro da gente e a literatura faz isso”.

A ministra disse ser uma aspirante da literatura e apaixonada por Cecília Meireles. Além de citar um verso da escritora, Carmén Lúcia também citou Carlos Drummond de Andrade. “O livro é o grande produtor de todas as imagens que nós somos capazes de formar. A gente gosta de literatura porque é o saber com sabor”.

A criança brasileira, de acordo com Cármen Lúcia, tem pouco acesso a cultura de uma maneira geral. “Hoje, a Federação Brasileira oferece muito pouca alternativa de boas bibliotecas. Boa parte dos centros das cidades não tem uma biblioteca, não tem um teatro, não tem um coral, não tem uma banda de música”.

Segundo a ministra, é muito importante para a inclusão social e a igualdade de direitos que sejam criadas mais bibliotecas, independente se depois as crianças não quiserem usá-las ou ler os livros. “Acho que serão usadas sempre. Pelo menos é uma possibilidade de escolha que proporcionamos para esses meninos, pois se eles perderem este momento histórico nunca terão igualdade de oportunidades”. E ela afirma: “a pessoa que não lê, não escreve. E nós vivemos da palavra. O princípio é o verbo”.

Essa conversa na íntegra pode ser assistida nas redes sociais do projeto, Instagram e Facebook e no canal do Sempre um Papo no Youtube, por meio do link: https://www.youtube.com/watch?v=yRdObFlZudM

(*) – Estagiária sob supervisão de Jozane Faleiro

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