Literatura é uma ferramenta importante para agregar valor ao jornalismo

Por Marina Vidal (*)

O Sempre Um Papo recebeu os jornalistas e escritores Carlos Herculano Lopes e Cesar Campos para falarem sobre “Jornalismo, Literatura e Pandemia”. Essa foi mais uma edição do projeto que está acontecendo de forma virtual, devido à pandemia do Covid-19. A conversa foi mediada pelo escritor Luiz Umberto França, no dia 19 de agosto de 2020, sendo transmitida pelo Youtube, Facebook e Instagram do Sempre Um Papo.

Os convidados iniciaram o diálogo relatando sobre seus sentimentos a respeito da pandemia. Carlos Herculano Lopes contou que está muito sensibilizado com a solidão das pessoas e as famílias que perderam entes queridos para a doença. “É um momento de muita tristeza, é um momento de muita reflexão, de repensar muitos valores, de estar mais perto de quem a gente ama e ser mais compreensivo, porque a morte está rondando a gente muito de perto, temos que ter fé, temos que esperar que a vacina venha e que possamos superar essa tragédia”, disse Carlos. Cesar Campos concordou com Carlos e afirmou que passamos por um momento no qual é preciso repensar e fazer uma autoavaliação. “O momento é realmente de angústia, a gente não sabe que efeito tem o vírus no nosso organismo, por outro lado, tem um momento de reflexão, eu estou tendo mais tempo com minha família e isso tem me trazido algumas reflexões sobre como poderia aproveitá-la mais ”, contemplou.

Na juventude de Carlos Herculano Lopes, vários autores encontravam dificuldades para a publicação de livros, por isso eles bancavam os próprios livros, processo que custava muito dinheiro. “Uma das lembranças felizes e gratificantes que eu tenho foi do início de 1980 quando lancei por conta própria o meu primeiro livro ‘O Sol Nas Paredes’, saia vendendo o livro nas ruas de Belo Horizonte, de bar em bar, para recuperar o dinheiro investido”. O escritor lembrou que completou quarenta anos dessa data e por isso quis partilhar a informação com os ouvintes do Sempre Um Papo. “É um momento especial para mim, no auge da minha juventude, e existia muita solidariedade, as pessoas compravam, as pessoas incentivavam”, completou.

Cesar Campos também declarou seu amor pela escrita, motivo pelo qual escolheu o curso de jornalismo. “Eu tive uma sorte muito grande da minha escola de jornalismo ter optado pelo jornalismo literário desde quando eu entrei na faculdade então a gente teve uma oportunidade enorme de conviver com professores colombianos e eles traziam e divulgavam todo esse amor pela literatura junto com o jornalismo e as possibilidades, foi quando eu me apaixonei pelo jornalismo literário”, ele relatou. Em 2005 já havia escrito uma biografia referente a “Tia Nora”, uma personagem de Araxá, que ainda não foi publicada, mas está com previsão para o ano que vem. No momento, Cesar está escrevendo livros infantis inspirados em seu filho, dentre eles tem a minicoleção de três livros: “Pan”, “De”, “Mia”. “Devem sair agora no fim do ano para explicar como falar com as crianças sobre a pandemia, que é um assunto realmente muito difícil, isso surgiu de uma conversa com amigos psicólogos que estão tendo dificuldade para que as crianças interpretem e entendam esse momento que estamos vivendo”, discorreu.

Carlos Herculano Lopes também é jornalista e informou que sua experiência como repórter o ajudou muito na escrita de suas obras. “Nas oportunidades que eu tive trabalhando como repórter e de viagens por causa do jornalismo, eu entrevistei muita gente, então eu conheci pessoas e aprendi muito com elas”. Cesar partilha do pensamento de Carlos sobre a importância da entrevista, não só para o jornalismo, como para o desenvolvimento de empatia. “A entrevista é o momento de humildade, de você parar para ouvir a pessoa e para entender o mundo dela naquele momento”. 

Portanto, para os jornalistas e escritores, a literatura agrega valor ao jornalismo.  “Trabalhar a literatura no jornalismo é um desafio porque a literatura é aquela coisa libertadora enquanto o jornalismo precisa da técnica, é muito mais entender que você tem um tempo muito reduzido para passar informações então você tem que ser um pouco mais sutil em tudo isso”, explicou Cesar Campos. Ele também falou que não é possível inserir a literatura em todas as reportagens, mas que sempre que possível ele tenta utilizá-la, uma vez que adiciona sensibilidade e humildade.

Essa conversa pode ser assistida nas redes sociais do projeto, Facebook e Instagram, e no canal do Sempre Um Papo no Youtube, por meio do link: https://www.youtube.com/watch?v=UIhWvNS7qJM&t=328s

(*) – Estagiária sob supervisão de Jozane Faleiro