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Karla Monteiro fala da biografia de Samuel Wainer e o jornalista Pagê relembra a vivência nos periódicos fundados por ele

9 de outubro de 2020

 O Sempre Um Papo recebeu os jornalistas Karla Monteiro e Pagê para o debate e lançamento do livro de Karla Monteiro “Samuel Wainer – o homem que estava lá” da editora Companhia das Letras. O encontro foi mais uma edição do projeto que está acontecendo de forma virtual, devido à pandemia do Covid-19. A conversa foi mediada pelo jornalista Afonso Borges, no dia 24 de setembro de 2020, sendo transmitida pelo Youtube, Facebook e Instagram do Sempre Um Papo. 

A conversa teve início com Karla Monteiro, a autora da biografia, e Pagê, como testemunha da história, contando um pouco sobre Samuel Wainer. Ambos lembraram que ele revolucionou o jornalismo brasileiro, tanto na parte técnica, com relação aos visuais dos jornais, quanto ao conteúdo. Para Karla, “Samuel sempre se posicionou politicamente e, por isso, era muito polêmico e muito sanguíneo. Pagê recorda: “tive o prazer de trabalhar em um jornal conveniado dele e é impressionante como ele marcou uma era aqui no Rio de Janeiro”. 

Como Samuel Wainer era um jornalista com uma ideologia muito retilínia, voltada para a esquerda, Karla destaca que a maior contribuição de Samuel para o jornalismo e para a democracia brasileira foi “ter introduzido no seio da grande imprensa, hegemonicamente liberal e conservadora, um jornal de orientação trabalhista. Samuel desafiou os pilares, o discurso ruim, a ideia do ponto de vista neutro e comprou todas as brigas”, enfatiza Karla. “Além disso, ele pagava salários justos para os jornalistas, assim ele profissionalizou a nossa profissão”, lembrou Pagê. 

A autora acredita que a parte mais rica para o seu trabalho de pesquisa, que durou cinco anos, foi a leitura de vários jornais do período de 1930 até 1980.  “Fui montando aquele quebra cabeça que é a vida do Samuel Wainer, sempre com o objetivo de abordar tudo da forma mais imparcial possível e a minha grande obsessão era fugir de maniqueismos e tentei ser o mais direta possível para ficar um perfil equilibrado”. 

Karla Monteiro também contou que a maior dificuldade que ela encontrou no processo de apuração da biografia foi “traçar a primeira parte da vida de Samuel, a sua juventude, pois não está documentada. “Para recontar esse momento da vida dele, obtive a  ajuda da sobrinha da ex-esposa de Samuel, Bruna. E o maioria das outras informações são de domínio público.”

Pagê é o atual presidente da Associação Brasileira de Imprensa (ABI) e relatou as dificuldades que a organização tem vivenciado nos últimos 20 anos devido a administrações não profissionalizantes. “Apesar da nova equipe ter conseguido resgatar o protagonismo da associação institucionalmente, a gente conseguiu resgatar a velha ABI. Agora, com as antigas dívidas e a pandemia, a ABI ficou sem recursos e está com uma campanha de arrecadação de fundos”. 

Karla Monteiro relembrou que a ABI era uma grande associação e reforçou a importância da organização para a democracia. Tudo acontecia na ABI, os grandes réveillons, que recebiam até os presidentes na ABI”. Pagê lembra que a importância da associação para a história brasileira. “A Petrobras nasceu na ABI, o impeachment do Collor e as Diretas Já, foi tudo lá na associação. Tenho o maior orgulho de estar lá dentro”.

Essa conversa pode ser assistida no canal do Sempre Um Papo no Youtube. 

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