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Instante poético

30 de setembro de 2020

Por Marina Vidal (*)

O Sempre Um Papo recebeu os poetas Líria Porto e Cássio Amaral para falarem sobre a temática “Instante Poético”, em mais uma edição do projeto que está acontecendo de forma virtual, devido à pandemia do Covid-19. A conversa foi mediada pelo escritor e professor Rafael Nolli, no dia 30 de setembro de 2020, sendo transmitida pelo Youtube, Facebook e Instagram do Sempre Um Papo. 

O diálogo teve início com os autores relatando seus sentimentos em relação a pandemia. “Estamos passando por um momento no qual precisamos revisar nosso posicionamento como ser humano, enquanto pessoa, auxiliar e ajudar quem precisa, se pudermos, ser mais altruísta, mais fraterno, a vida vale muito mais que o próprio capital”, disse Cássio Amaral. “A pandemia não é uma gripezinha, ela não é uma brincadeira. As pessoas precisam se proteger para também protegerem as pessoas queridas. E, nesse momento, os livros fazem ainda mais diferença na nossa vida”, afirmou Líria Porto.

Para a autora, a escrita está muito relacionada com os sentimentos e, diante disso, a pandemia afetou diretamente o seu texto. “Até o que a gente escreve muda um pouco. Os tempos não estão bons e eu estou me sentindo uma poeta pior nesse momento. Eu escrevo e é uma situação de incompletude”. Mesmo assim, ela conta que está escrevendo todos os dias, mas a escrita que não lhe contenta. Cássio Amaral ficou decepcionado quando o presidente do Brasil assumiu o cargo e isso afetou sua escrita. “Fiquei numa depressão profunda. Minha alma é muito romântica, muito sensível e não consegui concatenar minhas ideias”.

Ao longo da conversa, os poetas leram seus poemas e haikais que têm temáticas de reflexão e crítica social, no intuito de reforçar a necessidade de mudança estrutural na sociedade. “Nossa pátria precisa rever o que está acontecendo hoje, esse obscurantismo, esse neonazismo”, propôs Cássio Amaral. “Nós poetas nos preocupamos e pensamos que temos que usar a nossa voz para defender as riquezas que temos. A Amazônia e o Pantanal estão sendo alvo de devastação”, lembrou Líria Porto.

Os poetas também responderam a uma pergunta realizada pela audiência sobre o que estaria faltando para a verdadeira valorização da poesia. Cássio acredita que, em um tempo de capitalismo e obscurantismo, é função dos poetas e professores divulgarem a poesia. “Falta nós mesmos, poetas, levar essa poesia ao povo”. Cássio ofereceu uma dica aos professores para imprimirem os poemas e colocarem nas provas. “Eu sempre leio um poema meu quando começo a aula e procuro ler um outro poema que fala do contexto da aula no término dela”.

Para concluir, os convidados falaram sobre o poeta e seu papel social. “O poeta é um tipo de sapato torto, talvez seja uma deformação que nós temos nessa nossa mente de fazer versos, poemas e nós temos que realmente levar isso para as pessoas”, afirmou Cássio. “Araxá é uma terra de água boa para quem quer escrever. E, nesses tempos, o que não nos deixa muito solitários é que tem os livros para nos fazer companhia, pois a poesia ajuda a suportar o peso das coisas”, acredita Líria Porto.

Essa conversa na íntegra pode ser assistida nas redes sociais do projeto, Instagram e Facebook e no canal do Sempre um Papo no Youtube, por meio do link: https://www.youtube.com/watch?v=uTe7rLosALE&t=124s

(*) – Estagiária sob supervisão de Jozane Faleiro

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