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Impressões da alma

29 de março de 2021

Por Marina Vidal (*)

O Sempre Um Papo abriu a programação de 2021, ano que comemora 35 anos de realização ininterrupta, realizando uma série de encontros com respeitados autores da atualidade. No dia 24 de março, os convidados foram o ator e diretor-executivo do Inhotim, Antonio Grassi, o ator Paulo Betti e o ator Stepan Nercessian, para o lançamento do livro “Garimpo De Almas” (Tordesilhas Livros), romance que marca a estreia de Nercessian como escritor. Esta foi mais uma edição do projeto que está acontecendo de forma virtual, devido à pandemia do Covid-19. A conversa foi mediada pelo jornalista Afonso Borges, sendo transmitida pelo Youtube, Facebook e Instagram do Sempre Um Papo.

Stepan Nercessian contou que, a princípio, estava apreensivo por ter que escrever um livro sem o conhecimento das técnicas literárias, mas a partir da repercussão do lançamento, ficou satisfeito e perdeu um pouco do medo. “Eu não podia fazer uma coisa que eu não sabia. Então, coloquei o que eu sei escrever e o que me veio na alma. De certa maneira, o livro é uma oportunidade, uma chance rara que eu tive de entregar mais um lado da minha vida, das coisas mais íntimas, mais profundas, dos sentimentos que eu tenho, que eu vivi, esse borbulhar de visão do mundo que todos nós temos. E eu precisava entregar essa parte do meu coração também para os meus amigos e para as pessoas, não queria morrer com isso”, confessou o ator. 

Antonio Grassi achou o livro de Nercessian surpreendente porque apresenta um novo lado do ator. “Para mim foi incrível ter esse contato com a obra do Stepan, com esse olhar que ele tem. É mais uma faceta de um cara incrível, que tem uma carreira sensacional, não só como ator, mas em tudo que o Stepan faz. A gente não pode deixar de falar da atuação que Stepan fez no Retiro Dos Artistas e no Sindicato dos Artistas”. Paulo Betti concordou com Grassi. “Tem uma hora que até a impressão muda, o tipo da letra muda e é o mesmo livro. Os dois são o mesmo, sendo que há essa divisão clara. O livro é muito interessante porque quando você pensa que vai para a autobiografia, volta e vira outra pessoa e, de repente, começa uma sequência de contos que vêm se sobrepondo”.

Para Grassi, o nome da obra “Garimpo De Almas” é muito apropriado porque em seu texto Nercessian garimpa muitas informações e memórias. “O livro do Stepan é muito bom, é muito bem escrito e é um livro que dá prazer de ler porque traz um talento extraordinário em uma história que não é aquela que naturalmente se espera dele. Stepan é um ator incrível, que tem um humor incrível, que lida com a vida de uma maneira super bacana. E você pode esperar do Stephan um livro carregado de sonhos, de magia, de poesia. O livro é quase que eu confessionário. É uma maneira tão incrível de você se rasgar, de se mostrar para as pessoas”.

Stepan agradeceu imensamente aos atores e se emocionou ao recitarem trechos de seu livro. “Algumas pessoas já tinham me comunicado que esse meu livro é uma peça de teatro, que ele deveria ser falado e encenado no palco. E o Grassi e o Betti falaram que eu escondo um Stepan. A gente esconde muito da gente, o motivo não importa, mas muitas vezes a gente passa pela vida e alguém fala que não conhecia esse lado nosso. No meu caso, a minha imagem é associada sempre à brincadeira. Então, eu sempre vivi isso”. 

Bobo da corte

Os convidados também abordaram sobre o preconceito que envolve os profissionais de teatro, relacionando a eles estarem vinculados única e exclusivamente a arte de representar. “A princípio cabe ao ator o papel de ser o bobo da corte, não te dão a responsabilidade de estar ocupando outras lugares. Então, a gente, para ocupar outros cargos, outras funções, a gente tem que quebrar barreiras”, afirmou Grassi.

Paulo Betti trouxe alguns exemplos de atores que também são escritores, como Juca de Oliveira, Marcos Caruso, Gregorio Duvivier, Oduvaldo Vianna Filho, Miguel Falabella, Maitê Proença, mas afirmou questão poucos atores que se revelam como escritores. “Eu não me lembro de ninguém que tenha escrito ficção, geralmente os atores escrevem textos de teatro ou roteiros. No fundo, parece que o autor é superior ao ator, que o ator teria uma condição secundária porque o ator decora o texto e pronto, mas, realmente, há uma questão na autoria. A autoria é a viagem mais livre que você faz porque você faz aqui o que você quer ou o que você consegue”. 

Acompanhe a conversa na íntegra pelas redes sociais do projeto, no Instagram e Facebook e no canal do Sempre um Papo no Youtube, com acesso pelo link: https://www.youtube.com/watch?v=Y5T7aTD9qyw

FRASES: 

“A gente esconde muito da gente”. – Stepan Nercessian, 24/03/2021 

“O Sérgio Santana uma vez me disse que todo profissional é um chato, o ideal é que a gente fosse amador em tudo, que a gente soubesse transitar em várias coisas”.  – Antonio Grassi, 24/03/2021

“A princípio, cabe ao ator o papel de ser o bobo da corte, não te dão a responsabilidade de estar ocupando outras lugares”. – Antonio Grassi, 24/03/2021

“Um livro é quase que um confessionário. É uma maneira tão incrível de você se rasgar, de se mostrar para as pessoas”. – Antonio Grassi, 24/03/2021

“No fundo, parece que o autor é superior ao ator”. – Paulo Betti, 24/03/2021 

“A autoria é a viagem mais livre que você faz”. – Paulo Betti, 24/03/2021

“A obra de arte, seja ela qual for, não se completa, ela não quer dizer absolutamente nada se ela não for consumida por alguém”. – Stepan Nercessian, 24/03/2021

“Eu sou um carente da opinião alheia” – Stepan Nercessian, 24/03/2021

“Das manifestações artísticas, a literatura talvez seja a mais solitária”. – Antonio Grassi, 24/03/2021

“Eu acho o processo do livro tão solitário porque você não tem o contato com o retorno do espectador”. – Antonio Grassi, 24/03/2021

“As pessoas não valem mais pelas qualidades que elas têm, pelo o que elas são”. – Stepan Nercessian, 24/03/2021

(*) – Estagiária sob supervisão de Jozane Faleiro

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