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Importância do jornalismo para revoluções na cultura brasileira

8 de setembro de 2020

Texto: Marina Vidal – estagiária sob supervisão

O Sempre Um Papo recebeu os jornalistas Ruy Castro e Sergio Augusto para falarem sobre os filmes, livros e mulheres de suas vidas, em mais uma edição do projeto, que está acontecendo de forma virtual, devido à pandemia do Covid-19. A conversa foi mediada por Afonso Borges, no dia 8 de setembro de 2020, sendo transmitida pelo Youtube, Facebook e Instagram do Sempre Um Papo.

Essa edição também foi repleta de referências. Ambos os jornalistas explicaram um pouco sobre a história e tendências das histórias em quadrinhos, do cinema e da música brasileiros dos anos 60 e 70, com várias referências que vale a pena conferir. 

O interesse dos dois pelas histórias em quadrinhos se deu na segunda metade da década de 60. Época na qual o objetivo dos jornalistas era convencer o leitor de que os quadrinhos eram sérios e que também podiam ser modernos e de alta qualidade artística e que mereciam ser estudadas, entretanto eles era, desprezados, segundo Ruy Castro, “pelo fato de ser uma literatura popular, que era comprado na banca, rasgado e jogado fora”. Entre os quadrinhos que gostavam, destacaram; Mandrake, Fantasma e Tarzan, com as ilustrações de Burne Hogarth. Também foram citados os desenhistas Milton Cannif, Lee Falk e Alexi Raymond.

Ruy e Sergio falam com pesar que a crítica de cinema perdeu a importância nos dias atuais, pois com a internet qualquer pessoa consegue acessar a filmografia inteira de um certo diretor com poucos cliques. Os convidados falaram que antigamente eles anotavam cada um dos filmes de um determinado diretor e era difícil de completar tudo e exemplificam o excelente trabalho como crítico de cinema de Antônio Angusto Muniz Viana no Correio da Manhã, o qual marcou muitas pessoas, inclusive os entrevistados.

Importância do diretor de cinema na década de 50 era muito mais perceptível do que atualmente. E os diretores de filmes que mais conheciam eram os americanos, mas citaram também os diretores que marcaram não só os jornalistas, como também gerações, incluindo Hitchcock, Cecil B. DeMille, John Ford, Frank Capra, William Wyler, George Stevens e, é claro, o Fritz Lang.

Os filmes de suas vidas são filmes clássicos como “Cidadão Kane” e “Um Corpo que Cai”. Sergio Augusto também fala do filme “Picnic” ou “Férias de amor” filmado em cinemascope, mas o jornalista aponta para uma diferença importante, que são os filmes geracionais como o “Picnic” e “A Noviça Rebelde”. Segundo ele, esses filmes tem muitos fãs, pois as pessoas cresceram os assistindo e eles se afixaram em suas mentes, portanto, as pessoas se enxergam naquele filme. Ao se fazer uma análise técnica desses filmes, retirando o contexto geracional, eles passam a não ser vistos mais como bons filmes.

Os convidados abordaram também sobre as atrizes dessas épocas, que eram mulheres importantíssimas e perderam espaço como Marilyn Monroe, Esther Williams, Louise Brooks, Lizabeth Scott, Bette Davis. Isso porque havia uma imprensa monumental, com várias revistas semanais e mensais que abordavam sobre elas, além de todos os veículos praticamente terem correspondente em Hollywood. Como disse Ruy Castro, havia tamanha “riqueza de material sobre os atores e atrizes de Hollywood que eles faziam parte de nossas vidas”. O que foi complementado por Sergio Augusto em sua fala: “A morte da Marilyn Monroe bateu em mim como se fosse uma morte na família”. 

A música brasileira atual é abordada, segundo eles, como monocultural, pois antes haviam vários ritmos. Na visão de Ruy, um jovem dos anos 50 tinha uma cultura musical espetacular e era capaz de saber a diferença entre os instrumentos. “É um passado que merece ser estudado, merece ser analisado, merece ser curtido”, completou Ruy Castro. 

Essa conversa pode ser assistida nas redes sociais do projeto, Instagram e Facebook e no canal do Sempre um Papo no Youtube, por meio do link: https://www.youtube.com/watch?v=5_YaNd4SNeE&t=175s

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