O livro ainda nem está pronto e a polêmica, já posta na mesa da arte barroca mineira. A pesquisadora Guiomar de Grammont simplesmente afirma, em seu mais recente livro, que Aleijadinho não existiu. No livro “Aleijadinho e o Aeroplano: paraíso barroco e a construção do herói colonial”, ela desmonta uma série de mitos sobre o mestre escultor com argumentos muito bem estruturados. Aqui alguns deles:
Em primeiro, o tempo: para fazer todas as esculturas e obras atribuídas a ele, Aleijadinho teria que ter vivido, no mínimo, duzentos anos. Segundo: Antônio Francisco Lisboa, escultor pobre, que viveu em Vila Rica no século dezoito, teve um ateliê onde trabalharam dezenas de artesãos. E sua obra e estilo continuaram, pelas mãos destes artistas, no decorrer do tempo. Guiomar de Grammont afirma que a criação do mito do aleijadinho desrespeita, inclusive, as obras comprovadamente feitas pelo escultor Antônio Francisco Lisboa. Ela defende a tese que os muitos aleijadinhos do barroco mineiro foram inventados para confirmar a construção nacionalista de uma arte genuinamente brasileira. E pior: confirmada através dos séculos. Uma beleza de polêmica, em breve nas livrarias.