O poeta concretista Décio Pignatari fez, recentemente, em São Paulo, uma palestra sobre “O Fim da Literatura”. Lúcido, ele polemizou dizendo que as universidades e os professores tem que entrar na Revolução Industrial, datada de dois séculos atrás. Na sua opinião, a cátedra ainda não saiu da chamada “literatura rural”, de Graciliano Ramos, José Lins do Rego e Jorge Amado. E defendeu o romance urbano, porque o Brasil é moderno e urbano. E falou muito de “Memórias Sentimentais de João Miramar”, de 24, como o primeiro grande texto urbano.
Aí perguntaram se ele incluía “Grande Sertão: Veredas” nesta categoria de romance rural. Ele pensou, pensou, e mandou a polêmica: disse que “Grande Sertão Veredas”, ao lado de “Em Busca do Tempo Perdido”, de Marcel Proust, é das mais importantes obras da literatura homossexual da história. Riobaldo que o diga..