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Drummond: de Itabira para o mundo

13 de outubro de 2020

Por Marina Vidal (*)

O Sempre Um Papo recebeu o cronista Altamir Barros e o jornalista Humberto Werneck para falar sobre o Cometa Itabirano, Drummond e Itabira. Esta foi mais uma edição do projeto que está acontecendo de forma virtual, devido à pandemia do Covid-19. A conversa foi mediada pelo jornalista Afonso Borges, hoje, no dia 13 de outubro de 2020, sendo transmitida pelo Youtube, Facebook e Instagram do Sempre Um Papo.

O diálogo começou com os convidados contando sobre as suas experiências com a pandemia. Humberto Werneck está escrevendo um livro sobre Carlos Drummond de Andrade. “Estou sofrendo da minha própria companhia porque não tenho outra, mas estou aproveitando para trabalhar”. “Com o tempo a gente vai aprendendo e reaprendendo uma nova forma de viver”, disse Altamir Barros.

Altamir Barros, de Itabira, participou da equipe de criação do jornal “O Cometa Itabirano” em 1979, momento de grande censura devido a Ditadura. “O jornal foi um pouco pasquiniano, dentro daquele espírito também. Era uma turma bem eclética O Comenta e entrava e saia quase que uma geração inteira de Itabira”. Ele também lembrou do viés ativo do jornal com relação a luta contra o regime ditatorial. “A gente mexia muito na área cultural, tinha o lado político e a gente não perdia a perspectiva municipal”.

Carlos Drummond de Andrade também fez parte da equipe desse jornal. “Ele era o nosso guru, era a pessoa mais importante que a gente tinha. Ele mandou uma carta para O Cometa dizendo que a gente tinha inventado Carlos Drummond de Andrade, que ele era uma invenção do Cometa em Itabira”, falou Altamir Barros. O cronista acredita que ninguém amou mais Itabira do que Drummond. “Drummond é muito Itabira e a história fundamental de Itabira passa por Drummond”.

Altamir Barros é idealizador do Memorial Carlos Drummond de Andrade em Itabira, a obra foi projetada por Oscar Niemeyer e inaugurada em 1998. “Niemeyer tinha uma proximidade grande com Drummond porque ambos fizeram parte do Ministério da Cultura”. O cronista também contou que ele e a equipe do Cometa foram no apartamento de Drummond no Rio de Janeiro. “Foi uma coisa muito grandiosa para nós e para O Cometa”.

Humberto Werneck possui uma impressão de que Drummond tem uma qualidade de ser quase confidencial, ou seja, é como se ele estivesse falando para cada. “O Drummond quando escreve, seja poesia, seja prosa, ele me dá, não só a mim, mas para muita gente, a sensação de estar sentado ao meu lado no meio fio dizendo aquelas coisa. E ele falou as coisas que eu não dou conta de dizer, isso não é pouco”.

O papel de Itabira na vida de Drummond é fundamental. “É a marca d’água dele. Acho que sem essa marca itabirana ele seria um outro poeta, uma outra pessoa. Ele transportou essa terra natal dele por onde foi, eu acho que não dá para imaginar uma Drummond que não seja itabirano”, afirmou Humberto Werneck. O cronista também informou que o poeta sempre procurou ajudar a cidade. “O interessante de Drummond era como ele sabia de todo mundo de Itabira, por exemplo Santeiro do Val, que era um senhor que fazia santos”.

Itabira sofreu várias mudanças, principalmente devido a instalação de umas das filiais da mineradora Vale. “Itabira passou por um momento terrível em 1942, quando entrou a mineração para valer. E Itabira teve seu nome trocado para Presidente Vargas e só foi retomado ao nome original em 1947”, relatou Humberto. “Aqui ninguém aceitou não, houve mais uma rebeldia”, falou Altamir sobre a reação após essa alteração do nome da cidade.

Humberto também trouxe um fato interessante sobre Itabira. “Pouca gente sabe, mas Itabira teve uma história muito marcada pelas vinícolas, por uma indústria de vinho, o próprio pai de Drummond começou a produzir vinho. E foi uma espécie de um surto”. Altamir explica que Drummond está tão associado a Itabira, que não é possível estudar a cidade sem estudar o poeta. Ele também indica para entender o poeta com mais profundidade o livro “A Maquinação Do Mundo: Drummond E A Mineração”, da Companhia das Letras, escrito por José Miguel Wisnik. “Para entender poesia basta ter sensibilidade. A gente tendo sensibilidade a gente já se comunica, mas para entender Drummond profundamente, o Wisnik tem um livro muito importante”, disse o cronista.

Essa conversa na íntegra pode ser assistida nas redes sociais do projeto, Instagram e Facebook e no canal do Sempre um Papo no Youtube, por meio do link: https://www.youtube.com/watch?v=T1gX0PcNMSU

(*) – Estagiária sob supervisão de Jozane Faleiro

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