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Conterrâneos de Guimarães Rosa dão vida à obra do autor

22 de setembro de 2020

Por Marina Vidal (*)

O Sempre Um Papo recebeu Ronaldo Alves de Oliveira, coordenador do Museu Casa Guimarães Rosa, para falar sobre o espaço, localizado em Cordisburgo/MG, cidade onde nasceu o autor. Esta foi mais uma edição do projeto que está acontecendo de forma virtual, devido à pandemia do Covid-19. A conversa foi mediada pelo jornalista Afonso Borges, no dia 22 de setembro de 2020, sendo transmitida pelo Youtube, Facebook e Instagram do Sempre Um Papo.

O encontro começou com o convidado contando sobre a criação do Museu Casa Guimarães Rosa, que se deu, principalmente, em função da morte prematura de Guimarães Rosa, aos 59 anos, em 1967. “Na época, os familiares solicitaram ao governo que adquirisse a casa onde Guimarães tinha nascido, porque nesse período a casa já não pertencia mais à família. Então, o Governo de Minas comprou a propriedade e o museu foi inaugurado no dia 30 de março de 1974”.

Para Ronaldo, a principal missão do museu é divulgar a vida e, principalmente, a obra de Guimarães Rosa. “A importância da entidade vai além da extensão da cidade, é um museu que tem uma importância muito grande não só para o estado de Minas e o Brasil, mas em função da qualidade da obra de Guimarães Rosa, que é universal e que tem um alcance imenso”.

O coordenador do museu também falou que a entidade teve um segundo momento marcante, seguido da inauguração que ocorreu por volta de 2000, quando foi criada a Associação dos Amigos Casa Guimarães Rosa e o grupo de Contadores de História Miguilin, inspirado no personagem da obra “Corpo De Baile”. “A partir desse momento, a gente tem a inserção dos conterrâneos de Rosa dentro do museu, narrando e contando as histórias dos seus livros”.

O museu possui um grande acervo documental composto por vários objetos que pertenceram a Rosa, cerca de 700 arquivos, tanto de documentos, como de cartas, que fica localizado em uma reserva técnica em Belo Horizonte. “Além da reconstituição da venda de secos e molhados que pertencia ao pai de João Guimarães Rosa, ambiente muito marcante na vida do autor e presente em algumas de suas obras. Ele viveu nessa casa até os 9 anos de idade, depois foi para Belo Horizonte para estudar. Nos finais de semana e no período de férias ele vinha para Cordisburgo”, relatou Ronaldo Alves.

Os visitantes são recebidos pelos contadores de história que fazem uma visita mediada e depois narram trechos da obra de Guimarães Rosa. “Isso é muito importante porque é uma forma de as pessoas irem conhecendo sua obra. Oferecemos uma literatura narrada. Com um conterrâneo narrando a obra de Rosa dentro da sua casa, você tem essa obra viva, que o visitante tem o prazer de ouvir”, destacou o coordenador.

Esse projeto de contação de histórias tem mais de 20 anos e foi criado pela prima do escritor, Dra. Calina Guimarães, junto a Elisa Almeida e Fábio Barbosa, que fazem parte da primeira geração do Grupo de Contadores de Histórias Miguilim. “O projeto de cunho social, educativo e cultural tem como objetivo formar crianças e jovens para que eles possam fazer essa transição da infância para a adolescência de uma forma saudável. O grupo de contadores de história é a alma do Museu, é o nosso carro chefe”, disse Ronaldo.

Ele também informou que faltam patrocinadores e parceiros para o museu. “A gente quer, enquanto museu, ter todo esse acervo digitalizado e, futuramente, disponibilizá-lo para pesquisa. Temos o sonho de anexar a casa ao lado para comportar o acervo de documentos e abrigar o Grupo de Contadores de Histórias Miguilim”.

O papo terminou com Ronaldo convidando todos a conhecerem não só o museu, como a cidade e o sertão. “Eu espero que o museu possa acolher essas pessoas que querem vir nos conhecer. Para todo museu, onde quer que ele esteja localizado, acho que o mais importanteé que a comunidade ocupe aquele espaço, que ela se sinta que é pertencente aquele espaço, que aquele espaço é dela”.

Essa conversa na íntegra pode ser assistida nas redes sociais do projeto, Instagram e Facebook e no canal do Sempre um Papo no Youtube, por meio do link: https://www.youtube.com/watch?v=tSYdNf6BqUM

(*) – Estagiária sob supervisão de Jozane Faleiro

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