Catramby

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Depois do terreno arado, adubado e semeado, é mais simples rezar por tempo bom e fazer a colheita. Hoje Belo Horizonte realiza, com enorme sucesso, grandes eventos em torno do livro: feiras, salões e bienais. Mas não era esta a realidade nas décadas de setenta e oitenta. Sem apoio algum, o agitador cultural e livreiro Greudo Catramby fez a primeira Feira do Livro na nossa cidade. E fez várias outras, depois.
Catramby era dono da saudosa livraria Eldorado, no Edifício Malletta e por ali viu passar personagens do quilate de Murilo Rubião, João Ettienne Filho, Henry Corrêa de Araújo e toda a boemia intelectual que ali se juntava para conversar, beber e derrubar a ditadura. O que acontecia todas as noites.
A Fundação Municipal de Cultura, dirigida bravamente por Antonieta Cunha há quatro anos, abriu nona edição do “Encontro de Literaturas”, com uma justíssima homenagem a Greudo Catramby, o pioneiro da divulgação do livro em nossa terra. Cansei de comprar livros na Praça Sete, em eventos organizados por ele.
Catramby está doente. Mas guerreiro como é, fugiu do Hospital para receber a homenagem das mãos da Antonieta que desceu até a platéia para entregar-lhe a placa. E esta atitude da Antonieta não é simbólica: a cidade de Belo Horizonte desceu do palco e rendeu-lhe a homenagem mais que merecida. Greudo Catramby, a sua livraria Eldorado e suas feiras populares de livro na Praça Sete e pelo interior de Minas fazem parte da nossa história.