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Cantando o próprio quintal

26 de agosto de 2021

Por Laura Rossetti (*)

O #SempreUmPapoEmCasa recebeu, no dia 25 de agosto, quarta-feira, o cantor e compositor mineiro Celso Adolfo. Durante o bate-papo, ele tocou algumas faixas de seu novo CD, “Voz e Violão”, e falou sobre a inspiração e o processo de produção das músicas. Também participou da live o professor Pasquale, licenciado em Letras, para comentar as referências literárias presentes nas composições de Celso. A conversa, que contou tradução simultânea em Libras, foi transmitida ao vivo, às 19h, através das redes sociais do Sempre Um Papo.

Para dar início à conversa, o professor Pasquale apresentou o músico a quem acompanha e admira há anos. “Celso Adolfo, desde que começou a carreira, segue e persegue uma trilha sempre do refinamento, sempre na busca do que não existe – a perfeição“, diz. Pasquale acrescenta que Celso personifica bem a ideia contida na famosa frase do escritor russo Leon Tolstói: ”Para ser universal basta cantar o seu quintal“. Isso porque, na visão do professor, Celso compõe “essencialmente uma música mineira, do quintal mineiro, mas, (ao escutá-las), a gente sai de Minas e vai para o mundo, para o universo”.

Por sua vez, Celso Adolfo começou a live mostrando seu primeiro disco, “Coração Brasileiro”, que foi produzido por Milton Nascimento e lançado em 1983. A letra da música que dá nome ao disco foi inspirada tanto nas vivências de Celso em São Domingos do Prata, município onde nasceu, quanto em um dos livros mais conhecidos de Guimarães Rosa. “’Coração Brasileiro’ eu compus no longíquo 1978, quando eu era funcionário público no DER (Departamento de Estradas de Rodagem) e comecei a ler ‘Grande Sertão Veredas’ escondido do meu chefe”, lembra o músico.

Do álbum “Anjo Torto”, de 1990, Celso cantou e explicou o que está por trás da canção “A Estrada do Barro Branco”. “O Barro Branco é um lugarejo entre São Domingos do Prata e João Monlevade. A gente passava por ele para ir para Belo Horizonte, naqueles ônibus horríveis e antigos. Mas era bonita a viagem, na estrada de terra, e eu achava gostoso ir naquele balanço vendo as coisas”. Foi observando a paisagem que ele teve a inspiração para compôr a música.

Ao final da transmissão, Celso comentou faixas de seus álbuns mais recentes, como o “Estrada Real de Villa Rica” e o “Remanso De Rio Largo”, lançados em 2019. No primeiro, a música “Barcarola Lusitana” faz referência a um poema de Castro Alves, poeta baiano do século XIX e um dos principais expoentes do movimento artístico conhecido como romantismo. O professor Pasquale destaca que o verso “Que a brisa do Brasil beija e balança”, que faz parte do poema “Navio Negreiro”, foi adaptado por Celso na canção para “A brisa do mar beija e balança”.

Do “Remanso De Rio Largo”, Celso tocou trechos das músicas “Amor Doído”, “Ralando o Coco” e “Faquinha Quicé”. O álbum inteiro faz uma adaptação dos contos do livro “Sagarana”, de Guimarães Rosa. “São estrofes que estão lá que eu peguei e fiz música com elas”, explica o músico. “Amor Doído”, por exemplo, é inspirada no conto “O burrinho pedrês”, que conta a história de um velho burro que é escolhido para servir de montaria em um transporte de gado pelo sertão.

A maior parte das músicas tocadas durante a live está contida no “Voz e Violão”, lançamento de Celso Adolfo. A coletânea reúne 29 músicas autorais gravadas em nove discos, entre 1983 e 2019. O CD leva esse nome porque suas faixas foram gravadas sem acréscimos de melodia e sem efeitos especiais, o que faz com que cada música soe exatamente como foi composta. O disco está nas plataformas e aqui deixamos o link do Spotify – https://spoti.fi/3gAQYYw

Acesse a gravação completa da conversa nas redes sociais do Sempre Um Papo: Instagram, Facebook e YouTube.

*Estagiária sob a supervisão da jornalista Jozane Faleiro

Frases “Essa capacidade ‘de pintar o seu quintal e ser universal’ o Celso Adolfo tem de sobra, com muita delicadeza e beleza” – Professor Pasquale

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