Por Marina Vidal (*)
O Sempre Um Papo recebeu os fotógrafos Bob Wolfenson e Eugenio Sávio para falarem sobre “Fotografia e Pandemia”. Esta foi mais uma edição do projeto que está acontecendo de forma virtual, devido à pandemia do Covid-19. A conversa foi mediada pelo jornalista Afonso Borges, no dia 2 de setembro de 2020, sendo transmitida pelo Youtube, Facebook e Instagram do Sempre Um Papo.
O diálogo teve início com os convidados contando como estão se sentindo nesse momento de pandemia. “Estou me sentindo estranho, estou ansioso, inconformado e incomodado com várias coisas. Acho que a gente vive uma pandemia política, uma pandemia econômica, uma pandemia da informação”, disse Eugenio Sávio. Apesar dessas questões, o fotógrafo está aproveitando o tempo para reconciliar com a família e amigos fotógrafos. Bob Wolfenson, também está se aproximando dos familiares. “De fato é um momento para repensar e rever como você está inserido nas coisas e eu estou com tempo para lançar novos projetos”.
Bob Wolfenson falou sobre o projeto de retrospectiva dos 50 anos de sua carreira, que será exposto no Festival de Tiradentes. “Vou lançar uns jornais, na verdade são quatro fascículos que vão virar um livro físico porque o auge, o ápice da fruição fotográfica é física”. Ele relatou que o intuito do projeto é de aproximar autores e artistas do público. “Mostro minhas inovações ao longo do tempo, principalmente com o lançamento de livros e o uso de tecnologias. Tem tido resultado acima do que eu esperava, uma aproximação com outras pessoas, uma difusão mais ampla”.
Segundo Eugênio Sávio, o mercado fotográfico e editorial mudou muito porque o mundo mudou, logo os fotógrafos tiveram que se readaptar. “Na contemporaneidade se importa muito com o instantâneo, as fotos devem ser publicadas no momento em que são feitas. Mas um grande valor que eu vejo na fotografia é você esperar ela decantar, seja em uma caixa de sapato antiga no tempo do filme, ou em um HD nas fotografias hoje feitas, para que depois elas possam realmente mostrar se elas têm um sentido ou valor”. Bob Wolfenson partilha dessa ideia. “Obviamente quando você vê fotos muito tempo depois elas ganham outro sentido pelo seu olhar, pelo o que você é, pela conjuntura do tempo, pela contemporaneidade”.
Os fotógrafos também abordam sobre a fotografia. “O conceito de fotografia tem que se ampliar mais. Tem um excesso de produção, inclusive de fotos sem grandes produções e que são postadas em Instagram, acho que não é nenhum grande problema, mas hoje a fotografia é muito mais produzida inclusive por nós fotógrafos por isso o desafio do fotógrafo hoje é muito mais complexo”, disse Eugênio. Para ele o importante é quem está por trás da câmera continuar construindo sentidos e um discurso. “Fazer uma foto boa sempre foi fácil, até com câmeras simples, mas a gente tem que avaliar uma fotografia através do contexto de uma trajetória, de uma sequência”. Contudo, Bob Wolfenson lembrou que, por outro lado, nunca houve tanta difusão da fotografia.
O ato de fotografar para Eugênio está relacionado ao encontro, justamente o que estamos impedidos de realizar. Procurando uma alternativa a esse cenário foi criado o “Festival Foto em Pauta”. “Nós pedimos para as pessoas enviarem fotos que elas estão produzindo na pandemia ou sobre a pandemia. Isso durou 3 meses e despertou muito as pessoas para fotografar mesmo a intimidade delas, coisas que as vezes a gente não está achando relevante e de repente passou a dar sentido para essas pequenas coisas do dia-a-dia”, constatou Eugênio. Esses trabalhos estão sendo reunidos e vão ser culminados em um vídeo que será exposto no Festival.
Essa conversa na íntegra pode ser assistida nas redes sociais do projeto, Instagram e Facebook e no canal do Sempre um Papo no Youtube, por meio do link: https://www.youtube.com/watch?v=UzUu5hrAxeo&t=230s
(*) – Estagiária sob supervisão de Jozane Faleiro