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“Bibliotecas são formadas de pessoas e para pessoas”

10 de setembro de 2020

Conversa reforça a importância da cultura e da literatura como portas para um futuro mais empático

O jornalista Afonso Borges recebeu o também jornalista Marcelo Tas e o diretor executivo do SP Leituras Pierre Ruprecht, na noite de 10 de setembro de 2020, para mais uma edição do Sempre Um Papo, realizada de forma virtual devido à pandemia do Covid-19. A discussão proposta é extremamente contemporânea e se faz muito necessária durante a pandemia de coronavírus e frente às mudanças que a internet e as redes sociais proporcionam: “Livro, Leitura e Biblioteca: Tem Futuro?”. 

A biblioteca do futuro está mais próxima do que imaginamos. É nisso que acreditam os entrevistados do #SempreUmPapoEmCasa. Isso porque ela é centrada nas pessoas, e essa mudança de paradigma pode ser feita e já está sendo executada em muitas bibliotecas espalhadas pelo país. “O espaço contemporâneo tem que ser destinado às comunidades que servem, porque é onde há a construção autônoma de conhecimento, é a casa da palavra e, portanto, a casa da literatura”, discorre Pierre Ruprecht. 

Reforçando a necessidade de aproximação entre o público frequentador e o espaço da biblioteca, Ruprecht falou sobre a necessidade do espaço funcionar em horários alternativos, para aquelas pessoas que trabalham e estudam durante o dia poderem fazer parte dessa comunidade. “É essencial o horário noturno e os finais de semana, porque para muitas pessoas esse é o tempo disponível que elas têm para ir”, comenta o diretor. 

Marcelo Tas, que é filho de professores, contou como as bibliotecas fazem parte de sua memória mais tenra. “A primeira coleção de livros que me lembro foi uma de capa vermelha, do Monteiro Lobato, com “Reinações de Narizinho”, “Caçadas de Pedrinho”, que ficava na estante dos meus pais”. Além disso, depois de mais velho, outras bibliotecas começaram a fazer parte da memória afetiva de Tas, como o prédio vermelho da biblioteca da Universidade de Nova York, onde foi bolsista do programa Fulbright. “É um prédio que se vai criando amor por ele, pelas horas que passou ali dentro”, relembra o jornalista.  

E não seria uma conversa sobre livros se não tivesse uma indicação, certo? Certo. O livro da escritora francesa Genevieve Patte, “Deixem que Leiam”, sugestão de Pierre Ruprecht, se baseia na tese que a leitura literária favorece a empatia, já que na literatura forma-se o cérebro através do diálogo, no entendimento do outro, onde o leitor pode experimentar, sem sair do lugar, a autoridade e a interioridade. Em tempos de ódio nas redes sociais e realidades tão duras, como a enfrentada por conta da pandemia de coronavírus, se faz ainda mais essencial o desenvolvimento de pessoas com a habilidade de se colocar no lugar do diferente.

Ruprecht reforçou que a leitura é responsável também por criar, na mente dos leitores, todos os passos do método científico e que privar as pessoas de uma leitura literária é retirar a possibilidade da criação de um pensamento crítico acerca do mundo. Além disso, os livros também se tornam grandes portais, que possibilitam o ato de viajar e conhecer outras realidade e culturas sem tirar os pés do chão.       

Pensando nesse futuro pós pandemia, se mostra cada vez mais importante a integração da biblioteca com o ambiente virtual, que apesar de haver um senso comum de uma aparente dicotomia entre livros e redes sociais, se revela como um preconceito, bem lembrado por Tas: “A pessoa na rede social está necessariamente lendo”. Ruprecht comenta que o cuidado na internet é o mesmo de antes, só que agora, nesse novo ambiente, a batalha é pelo tempo. “A pessoa leitora precisa de se assenhorar do seu tempo, se não tomar essa decisão ela será uma consumidora de texto”.

Como apontado por Marcelo Tas, o primeiro empreendimento online bem sucedido foi uma loja de livros, que hoje se tornou uma das maiores empresas do mundo, a Amazon. É necessário, portanto, levar o diálogo para aquele usuário que frequenta esses espaços. Na biblioteca do futuro, os frequentadores serão os responsáveis por dizer qual é o espaço que usam e qual é a biblioteca que eles querem. E, quem planeja as bibliotecas, precisa estar um passo à frente e oferecer aos leitores aquilo que eles ainda não sabem que querem. 

O papo, além de render indicações de livros, nos presenteou com uma curiosa dica de lápis, apresentada pelo mediador Afonso Borges e pelo entrevistado Marcelo Tas. Para quem gosta de escrever nos livros: lápis de gramatura 6B, que possui uma melhor aderência e desenvoltura no papel, pode ser uma boa pedida.

Essa conversa pode ser assistida nas redes sociais do projeto, Instagram e Facebook e no canal do Sempre um Papo no Youtube, por meio do link: https://www.youtube.com/watch?v=cxo_Pgwlk3U&t=211s

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