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Arte e ciência libertam

5 de maio de 2021

Por Marina Vidal (*)

O Sempre Um Papo segue com a programação de 2021, ano que comemora 35 anos de realização ininterrupta, realizando uma série de encontros com respeitados autores da atualidade. No dia 4 de maio, a convidada foi Rosiska Darcy de Oliveira para o debate e o lançamento do livro “Liberdade” (Rocco). A conversa foi mediada por Afonso Borges e contou com a participação da ex-ministra Izabella Teixeira, além de intérprete de Libras, sendo transmitido pelo Youtube, Facebook e Instagram do Sempre Um Papo. Esta foi mais uma edição do projeto que está acontecendo de forma virtual, devido à pandemia do Covid-19.

Rosiska contou que escreveu a obra porque considera que todos os seres humanos estão vivendo um tempo obscurantista. “O que está acontecendo é muito pior do que uma onda conservadora, é uma onda obscurantista. E o maior inimigo do obscurantismo é a liberdade”. O livro, para a autora, é uma espécie de grito de esperança. “Liberdade é essa palavra, como dizia Cecília Meireles, que o sonho humano alimenta, que não há ninguém que explique, ninguém que não entenda. Eu falo de uma esperança que é arquiteta de destinos, que cria fatos, cria realidades, uma esperança que é, como a liberdade, uma fénix que quando você menos espera ela ressurge”.

Ela disse que o livro também é um ato de resistência. “Resistência exatamente a essa desesperança que eu creio que vai se instalando e vai sendo extremamente corrosiva. Nós vamos sentindo que vamos perdendo muito do que tínhamos, o país vai sendo destruído e vai provocando um sentimento de impotência que certamente se agravou agora com a pandemia, mas que já estava existindo antes”.

Para Rosiska, essa desesperança acaba desarticulando resistências e criando um clima de desespero. “Tem um capítulo do livro que chamo de ‘contra o ódio’, na verdade eu deveria ter chamado de “a favor do amor”. Porque nós escritores, artistas e intelectuais representamos tudo aquilo que essas pessoas que estão hoje no poder no Brasil e em vários países do mundo, os obscurantistas, detestam. Eles realmente nos odeiam e odeiam todos aqueles lugares, onde de alguma maneira a liberdade se manifesta”.

Izabela Teixeira, ex-ministra do Meio Ambiente, já leu o livro três vezes e conseguiu associá-lo à sua vida, percebendo que desde que deixou o cargo experimentou novas liberdades. “O livro é uma delícia de, não só ser lido, mas de experimentar a liberdade de lê-lo de várias maneiras em vários momentos, ele te permite isso. E ele te provoca o tempo inteiro porque dialoga com o seu dia a dia”.   

Apesar de todos os desafios, Rosiska acredita que a liberdade sobrevive. “Para mover o mundo nós precisamos de uma alavanca e eu resolvi colocar a alavanca exatamente nesses lugares em que eu identifiquei a presença da liberdade. Estes lugares são movimentos sociais que defendem a liberdade, a ciência, a tecnologia, tudo aquilo que vem colaborando para uma mudança de era”.

Para Rosiska, o mundo está sofrendo uma mudança de era. “Essa onda obscurantista veio como uma reação de medo, de covardia diante das exigências de uma mudança de era. Porque essa mudança, evidentemente, quer abrir certezas. Ela quebra tudo aquilo que se considerava como verdadeiro”. Izabella concorda com a visão da autora de que o mundo está sofrendo alterações. “Ouso dizer em eras porque está entrando em uma mudança da civilização que vai ser muito modelada a uma incerteza ligada à natureza, não tem mais essa relação que explica a nossa história recente com a natureza, portanto, o futuro não é mais uma projeção linear do passado”.

As convidadas também reforçaram que o real passa a ganhar outras dimensões. “Gosto muito quando você provoca que nada substitui a vida real, mas nós não estamos somente numa era ameaçada, mas também vivendo uma era ligada ao mundo digital em que o que é real ganha outras dimensões ou pode ganhar outras dimensões”, afirmou Izabela. Rosiska explicou que, devido as evoluções tecnológicas, agora, as pessoas têm mais liberdade, até mesmo ao escolher sobre o nascimento, como por meio do congelamento de óvulos ou fecundação in vitro. “Meu livro é focado nos espaços de liberdade que incluem e, sobretudo dão destaque, à liberdade de criação, que é muito importante, aos artistas”.

Acompanhe o encontro na íntegra pelas redes sociais do projeto, no Instagram e Facebook e no canal do Sempre um Papo no Youtube, com acesso pelo link: https://www.youtube.com/watch?v=lAoVCks-YFY

FRASES:

“Nós estamos vivendo uma mudança de era” – Rosiska Darcy de Oliveira

“Esse livro é um voto de esperança e um ato de resistência” – Rosiska Darcy de Oliveira

“Eu escrevi esse livro porque nós estamos vivendo um tempo terrível, insuportável e que se apresenta como uma onda conservadora, não só no Brasil, mas no mundo todo” – Rosiska Darcy de Oliveira

“A liberdade sobrevive e ela se exerce, apesar de tudo que está acontecendo” – Rosiska Darcy de Oliveira

“O obscurantismo tenta se agarrar nas boias murchas dos conceitos já vencidos, voltam relógios no tempo, querem ignorar a realidade nova que nós estamos vivendo”. – Rosiska Darcy de Oliveira

“Não vamos voltar para trás porque os progressos de afeto que foram feitos não podem voltar” – Rosiska Darcy de Oliveira

“Os artistas são essas pessoas que não conseguem viver sem a sua arte, que não conseguem viver sem liberdade, que se nutrem disso, que são a sua própria arte” – Rosiska Darcy de Oliveira

“O Brasil tem condição de fazer um mundo muito melhor, mas depende de uma aliança de uma ciência com o povo” – Izabella Teixeira

“Não tem como ter evolução no século XXI, sem a ciência” – Izabella Teixeira

“A pandemia provou a interdependência entre as pessoas e sem dúvida, eu acho que é pela arte, que dedilha as cordas da alma de uma maneira particular”. – Rosiska Darcy de Oliveira

“O que nós mais precisamos é de beleza porque estamos recheados de horror”. – Rosiska Darcy de Oliveira

“Estamos precisando de um mundo contado de outra forma”. – Rosiska Darcy de Oliveira

“A única certeza que eu tenho é que o mundo não será da mesma forma”. – Rosiska Darcy de Oliveira

“A ciência tem que ter a sua significação na sociedade”. – Izabella Teixeira

“Nesse mundo em transformação há um ressignificação dos sentidos da ciência”. – Izabella Teixeira

“Temos que saber viver com esses novos mundos” – Izabella Teixeira

“O mundo vai ter que ser refundado” – Rosiska Darcy de Oliveira
“Nem a ciência, nem a arte funcionam fora do domínio da liberdade” – Rosiska Darcy de Oliveira

“Esse mundo foi demolido por uma catástrofe nunca vista” – Rosiska Darcy de Oliveira

“Nós temos uma tarefa imensa de construir esse mundo que está sendo destruído” – Rosiska Darcy de Oliveira

(*) – Estagiária sob supervisão de Jozane Faleiro

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