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“A poesia humaniza”, Arautos da Poesia no #SempreUmPapoEmCasa

17 de setembro de 2020

Aguida Alves e Sheila Emília, fundadora e participante do projeto, respectivamente, contam a importância da poesia e de iniciativas que valorizem a cultura

A jornalista Jozane Faleiro recebeu Aguida Alves e Sheila Emília, na noite de 16 de setembro de 2020 para mais uma edição do #SempreUmPapoEmCasa, que foi realizado de forma virtual devido à pandemia da Covid-19. A conversa foi sobre a atuação delas no grupo Arautos da Poesia, fundado há 11 anos, em Sabará. 

O Arautos da Poesia teve início em 2009 como um projeto da Borrachalioteca – espaço de incentivo a leitura, uma biblioteca criada dentro de uma borracharia – e, a princípio, a ideia era reunir crianças para brincar com a poesia, depois que foram surgindo as apresentações. “Não tinha nem um mês que iniciamos o projeto quando fomos chamados para o festival do Ora-pro-nóbis para recitarmos poesia e, desde então, o Arautos não parou mais”, lembra Aguida, uma  das fundadoras. Sheila entrou no projeto aos 16 anos, quando até então a idade limite eram 15 anos e, hoje, aos 24, se sente extremamente grata ao Arautos pelo desenvolvimento dentro da arte, “Eu era muito tímida, a primeira vez que fui nem falei nada”. 

A relação de Aguida com a literatura e as crianças, entretanto, precede a criação do projeto. Surgiu alguns anos antes quando Aguida levava crianças para portas de igreja para fazer intervenções poéticas para os romeiros e, também, devido a professora Lurdinha que incentivou a movimentação com a poesia infantil que os projetos foram tomando corpo.

Uma das iniciativas do grupo é o Piquenique de Haicai, uma das apresentações fixas do Arautos, realizado em um bosque de Sabará todos os anos, para celebrar o aniversário do grupo e o Dia Mundial da Poesia, em 21 de março. O encontro aconteceu pela primeira vez como forma de homenagear o cordelista e haicaista mineiro Olegário Alfredo, mas hoje em dia se tornou uma forma de celebrar essa forma de fazer poesia. “Tem rodas de conversas com os autores que estão homenageados e nós levamos para o bosque brincadeiras para as pessoas se divertirem conosco. Tem bolha de sabão gigante, pesca de haicai, entre outras atividades”, conta Sheila. Durante a conversa on line, as duas convidadas recitaram diversos haicais. 

É na arte que Sheila construiu a vida, estudante de Letras na Pontifícia Universidade Católica, se apaixonou pela leitura quando nova e, em terna idade, também descobriu que queria trabalhar com a arte. “Fiz parte do Coral da Sociedade Musical Santa Cecília, fiz dança de rua, mas foi quando subi no palco que eu soube que queria trabalhar com isso”. Além disso, para Sheila, a arte é uma forma de se conhecer, conhecer outras pessoas e ter contato com outros mundos que estão distantes. A estudante também relata a importância dos projetos sociais que frequentou para trilhar seu caminho na arte. “Minha história é muito marcada pelas pessoas que fazem esses projetos com a certeza de que podem mudar a vida de outras pessoas”, conta Sheila.

Pós pandemia

Apesar dos encontros presenciais terem sido cancelados, por conta da propagação do coronavírus, os planos dos Arautos da Poesia para quando a pandemia findar já estão a todo vapor. Aguida conta sobre uma demanda para levar mais  crianças para o grupo Arautos da Poesia. “Na minha rua as crianças de 4 anos querem ter contato com poesia, os pais já nos procuraram e nós vamos aceitar”, afirma. O projeto incialmente era voltado a crianças e jovens de 7 a 15 anos. 

O papel da poesia hoje

A criadora do grupo acredita que antigamente à poesia era destinado a um lugar de pouco prestígio, sendo considerada a “prima pobre” da literatura. Hoje, esse não é mais o cenário. “Teve um boom com o pessoal do slam, em que surge outras formas de usar a poesia, que proporcionam um entusiasmo nas pessoas”, diz Aguida.

Encontro com poetas

O grupo já teve oportunidade de recitar poemas para grandes nomes da literatura brasileira, como Ferreira Gullar, Marina Colasanti e Adélia Prado. Com o autor, falecido em 2016, Aguida inclusive foi tomada pela emoção e não conseguiu recitar o poema. Com Adélia, a história é mais especial ainda, o encontro aconteceu na casa da escritora, e envolveu, além de declamações, música e afeto.

O encontro pode ser assistido no canal do Sempre Um Papo no Youtube e nas rede sociais do projeto, Facebook e Instagram. 

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