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“A poesia é um anzol poderoso”

8 de abril de 2021

Por Marina Vidal (*)

O Sempre Um Papo segue com a programação de 2021, ano que comemora 35 anos de realização ininterrupta, realizando uma série de encontros com respeitados autores da atualidade. No dia 7 de abril, a convidada foi a escritora Marina Colasanti para uma conversa sobre o livro “Mais Longa Vida” (Ed. Record). A conversa foi mediada pelo jornalista Afonso Borges e contou com intérprete de Libras, sendo transmitida pelo Youtube, Facebook e Instagram do Sempre Um Papo. Esta foi mais uma edição do projeto que está acontecendo de forma virtual, devido à pandemia do Covid-19.

A poesia, segundo Marina Colasanti, precisa ser apresentada e introduzida pelas pessoas desde a infância. “Eu fiz cinco livros de poesia infantil, certa, por experiência pessoal, de que dando poesia na mamadeira das crianças, ela fica para sempre, a pessoa se torna um leitor de poesia”. A escritora também disse que no Brasil se consome pouca poesia. “Os meus livros de poesia infantil são os menos adotados porque os professores não têm o hábito de trabalhar poesia, não são leitores de poesia, preferem crônicas, que são um subproduto literário”.

Colasanti contou que teve contato com a poesia desde muito jovem e essa experiência foi de extrema importância para seu interesse pelo gênero. “Toda semana, quando criança, eu lia um jornal infantil, cuja a primeira e última página eram histórias em quadrinhos e, em vez de balões, eram legendas, em baixo, metrificadas e rimadas. E de ler tantas rimas e tanta métrica, eu comecei a fazer os primeiros poemas, comecei a versificar a história da ‘Princesa e a Ervilha’, quando era criança, tinha nove para dez anos. Então, sei por experiência, que a poesia é um anzol poderoso”. 

A escritora também abordou sobre o que é necessário para ser um poeta. “Leia constantemente poesia de qualidade, em qualquer língua a qual você tenha acesso, melhor se na língua original, porque a tradução da poesia é muito dificultosa e pode arruinar um poema. Busque, dentro de si, a emoção que já é uma poesia e, nunca se nomeie poeta, fazer versos é melhor. Poeta, quem decide se somos ou se não somos, são os leitores”.

A autora acredita que um livro de poesia leva muitos anos para ser concluído e falou um pouco sobre os eu processo de criação. “Quando eu comecei a fazer poesia, eu usava papel de diferentes cores, porque não tinha computador. E as cores indicavam o nível em que eu considerava que o poema estivesse. Eu usava papel azul, verdinho e cor de rosa. Quando passei para o computador, ficou mais fácil porque toda vez que eu faço um poema novo, eu percorro os poemas antigos de cabo à rabo, vou trocando uma palavra por outra”. Contudo, quando considera que um poema está pronto, Marina faz um livro. “Depois de publicado eu não mudo nada. Entreguei a editora, não troco mais nada”.

Marina Colasanti e o marido, Affonso Romano de Sant’Anna, que também é escritor, sempre leram os livros um do outro e contribuíram com comentários antes de enviá-los para a editora. “Tenho um leitor privilegiado, o meu marido, que me deu muitos conselhos, embora a nossa poesia seja muito diferente. Quando o outro tinha lido o livro, sentávamos juntos no sofá e liam-se as anotações, as correções e o outro aceitava se quisesse, ou não aceitava se não achasse que era pertinente, mas sempre lemos o livro um do outro”. 

Durante a conversa, Marina Colasanti leu poemas de “Mais Longa Vida” e prometeu voltar ao Sempre Um Papo para conversar com Afonso Borges a respeito do seu próximo livro “Vozes de Batalha”, que já está com a Editora Planeta. “Esse livro tem muita história, tem a biografia sucinta da minha tia-avó. Conto como se vivia domesticamente no parque Lage, tem a compra feita por Roberto Marinho e a desapropriação por Carlos Lacerda. E como eu visitei minha tia Gabriela na Itália, aonde fomos juntas, o que ela me contava, as confidências. É um livro muito íntimo”.  

Acompanhe o encontro na íntegra pelas redes sociais do projeto, no Instagram e Facebook e no canal do Sempre um Papo no Youtube, com acesso pelo link: https://www.youtube.com/watch?v=D8srIgd1ipI

FRASES:

“Dando poesia na mamadeira das crianças, a poesia fica para sempre, a pessoa se torna um leitor de poesia”. – Marina Colasanti, 07/04/2021

“No Brasil se consome pouca poesia”. – Marina Colasanti, 07/04/2021

“Os professores não têm o hábito de trabalhar poesia na escola, não são leitores de poesia”. – Marina Colasanti, 07/04/2021

“Eu sei, por experiência, que a poesia é um anzol poderoso”. – Marina Colasanti, 07/04/2021

“Poeta, quem decide se somos ou se não somos, são os leitores”. – Marina Colasanti, 07/04/2021

“Nunca me atrevi a traduzir poesia”. – Marina Colasanti, 07/04/2021

“Nunca me arrependi de nada na vida”. – Marina Colasanti, 07/04/2021

“Drummond era muito fiel aos leitores, sempre respondia, sempre avaliava. Ele se correspondia com vários poetas e sempre cuidou muito da correspondência, respondia a todos que lhe pedissem opinião, era muito generoso nesse sentido”. – Marina Colasanti, 07/04/2021

“Todos os meus livros de minicontos são temáticos”. – Marina Colasanti, 07/04/2021

“Um livro de poesia leva muitos anos para ser concluído”. – Marina Colasanti, 07/04/2021

“Sabemos que Drummond tinha um triturador de papel e toda a noite ele triturava os rascunhos. Isso porque ele sabia que, se um rascunho dele fosse parar em um lixo, haveria mãos para catá-lo. Ele só mostrava um poema quando estivesse pronto”. – Marina Colasanti, 07/04/2021

“Eu acho que a pandemia não nos tornará melhores, ao contrário do que todo mundo diz”. – Marina Colasanti, 07/04/2021

“Aconselho muito um livro sobre a gripe espanhola, da Heloisa Starling e da Lilia Schwarcz. As autoras deixam evidente que cometemos os mesmo erros cometidos há mais de um século. O que significa que pandemias não ensinam coisa alguma, não muda o comportamento das pessoas”. – Marina Colasanti, 07/04/2021

 “A ciência evolui. A informática evolui. Hoje, temos ferramentas que não tínhamos antes, mas o ser humano evolui muito mais devagar, se podemos dizer que ele evolui”. – Marina Colasanti, 07/04/2021

“A violência é uma constante do ser humano”. – Marina Colasanti, 07/04/2021

“Não sou nem otimista nem pessimista, sou analista”. – Marina Colasanti, 07/04/2021

(*) – Estagiária sob supervisão de Jozane Faleiro

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