Por Marina Vidal (*)
O Sempre Um Papo recebeu o escritor e jornalista Alberto Villas e o cartunista, artista gráfico e escritor Miguel Paiva para falarem sobre o tema “Jornalismo e humor”. Esta foi mais uma edição do projeto que está acontecendo de forma virtual, devido à pandemia do Covid-19. A conversa foi mediada pelo jornalista Afonso Borges, no dia 18 de agosto de 2020, sendo transmitida pelo Youtube, Facebook e Instagram do Sempre Um Papo.
A convite de Afonso Borges, os convidados explicaram como retratariam o ano de 2020, no dia 1º de janeiro de 2021. Miguel Paiva iria fazer uma charge amaldiçoando o ano de 2020, ao invés de dizer boas-vindas para 2021. “Porque uma charge é uma coisa sempre crítica. Então, eu carregaria toda a minha indignação em relação ao que a gente viveu, ressaltando que se a gente conseguiu superar o coronavírus e não conseguiu superar o Bolsonaro. Isso é, realmente, um elemento muito fácil para elaborar uma charge”. Alberto Villas disse que teria que pensar mais a respeito, mas que iria fazer uma manchete com o título próximo de “Adeus ano velho”, “Triste ano velho” ou “Acabou”. “Eu anunciei há dez anos atrás que o mundo acabou e ninguém acreditou”, falou Alberto sobre a atualidade de seu livro “O Mundo acabou”.
Os escritores também contaram sobre as novidades artísticas. Miguel está com a peça “Pecado” online, dirigida por Ciça Castello. “São dois atores, cada um em um lugar, e nós vamos fazer uma espécie de zoom e eu desenhei os cenários, porque o zoom permite que você use alguns cenários”. E Alberto possui um livro que já está pronto, mas que ainda não foi publicado chamado “Cobra É Um Bicho Que Só Tem Rabo”. “É uma coisa que a minha filha falou quando ela chegou no Butantan, são essas frases engraçadas que as crianças falam”.
Alberto Villas também está escrevendo um livro infantojuvenil sobre o romance do Carlos Lamarca com a Iara Iavelberg e está, há dois anos, trabalhando com o livro “O Ano Que Você Nasceu”, que são 50 capítulos de 1950 até 2000. “Cada ano eu recolho tudo o que aconteceu naquele ano, os filmes em cartaz, os livros lançados, os mais vendidos, quem era o Papa, qual era a moda, quem era o presidente do Brasil, as revistas que existiam, as manchetes, tudo o que acontecia, os automóveis, tudo da época, e eu reúno isso tudo e faço uma grande crônica sobre aquele ano”, explicou.
Miguel Paiva ainda falou sobre como que acompanhar as notícias dos jornais é importante para ter ideias para charges. “Como fico muito ligado e acompanhando as notícias, eu vou vendo as notícias e vai vindo ideia para charge. Acabei de ter uma ideia agora olhando para a Globonews, sobre teto de gastos”. Ele ainda relata sobre a necessidade de se posicionar em relação aos acontecimentos do presente e que reage por meio de suas charges. “A linguagem da charge vai no avesso das coisas, é uma linguagem transgressora e é a maneira que a gente tem de comunicar um fato. É uma linguagem com um subterfúgio, com um caminho tortuoso, que o público entende e se sente acarinhado e em companhia com a charge”.
Segundo Alberto Villas, nas charges jornalísticas são feitas críticas à época e, atualmente, os cartunistas estão quase ilustrando o que acontece no Brasil, não havendo muito a acrescentar. “Eu fico imaginando se o Brasil tivesse um governo sério, a piada seria uma coisa aqui e outra ali. Como o Bolsonaro sacaneia todo mundo, a gente tem o direito de sacanear com ele também”. Na visão de Miguel Paiva, é muito importante para as charges haver a identificação do público com o conteúdo. “O fato de a gente dizer para o público o que gostariam de ver estabelece uma cumplicidade, interação, que é importante”.
Para encerrar, os convidados falaram da época em que trabalharam juntos no jornal Vanguarda, na TV Bandeirantes, que era um telejornal com tom humorístico. Essa conversa na íntegra pode ser assistida nas redes sociais do projeto, Instagram e Facebook e no canal do Sempre um Papo no Youtube, por meio do link: https://www.youtube.com/watch?v=oC-8Ob2HI_s&t=400s
(*) – Estagiária sob supervisão de Jozane Faleiro