Governador Valadares: infância, música e poesia

Por Marina Vidal (*)

O Sempre Um Papo recebeu Roberto Lima e Zé Geraldo para falarem sobre suas trajetórias, em especial suas histórias vividas em Governador Valadares. Esta foi mais uma edição do projeto que está acontecendo de forma virtual, devido à pandemia do Covid-19. A conversa foi mediada pelo jornalista Afonso Borges, no dia 1 de setembro de 2020, sendo transmitida pelo Youtube, Facebook e Instagram do Sempre Um Papo.

Os convidados contaram sobre o tempo que moraram em Governador Valadares. Roberto Lima, apesar de não ter nascido na cidade, afirma que é valadarense porque se formou e começou a sentir a vida lá, o que foi extremamente importante para a pessoa que se tornou. “A cidade era muito inquieta, Governador Valadares era um cento cultural porque quem vinha da região nordeste do país, indo para o Sul, tinha que passar por Valadares, pela BR 116 e vice-versa. E a mesma BR acabou os levando para o mundo”. Zé Geraldo foi para a cidade com a família por volta dos seis anos de idade e mudou-se aos dezoito. “Nós morávamos na avenida JK, que ainda não tinha asfalto e energia elétrica. A primeira escola que eu estudei, eu e meu irmão andávamos uns quatro quilômetros no meio do mato para estudar”.

Roberto Lima lembrou de sua infância em Valadares e ressaltou a diferença entre este período da vida em uma cidade pequena e uma cidade grande. “Eram outros tempos, a molecada podia ficar na rua até tarde jogando bola, brincando de pique. Os pais dos meninos vizinhos ajudaram na nossa formação, puxaram a nossa orelha, era um negócio muito engraçado, muito legal, eu tenho muita saudade”. Zé Geraldo também recordou os momentos na cidade. “Nós tinhamos um quintal de terra batida e a molecada vinha toda lá para casa, a gente jogava bola o dia inteiro”.

Zé Geraldo ainda contou sobre suas inspirações musicais que o ajudaram a moldar sua carreira como músico e compositor. “Eu nunca pensei na minha vida assim. Nem no sonho mais louco pensei que um dia eu fosse ser um cantor e compositor. Eu gostava de escrever os meus versos para as namoradas, mas era uma pessoa extremamente tímida”. Ele lembrou que a sua primeira esposa e também mãe de suas filhas, foi um grande impulso para que ele entrasse no mundo da música e que a sua família foi a sua primeira influência musical.

Os convidados também declararam sua paixão pela poesia. Roberto confidenciou que um poema de Augusto dos Anjos mudou a sua vida. “A poesia beijou a minha boca e um ano depois eu publicaria o meu livro. Eu sou um escritor de prosa e eu vou pegando esses cascalhos, essas falas, essas frases soltas, que ainda me emocionam. Gosto muito de escrever, mas não tenho disciplina, escrevo quando tenho vontade”. Já Zé Geraldo atribui a poética em suas músicas ao Bob Dylan. “O cara foi meu mentor, principalmente no lado poético. Ele teve uma importância fundamental no prazer de escrever frases longas, contando histórias e de não ter medo de colocar palavras que normalmente as pessoas não colocam. É enriquecedor ser contemporâneo de tantas pessoas que tem amor pela poesia, a poesia é fundamental”.

Para finalizar, Roberto Lima afirmou que ele e Zé Geraldo se tornaram cidadãos valadarenses e que até receberam a cidadania em uma mesma noite. “A cidade é uma coisa que me transporta, aquelas ruas sem calçamento, aquele rio barrento que subia quando tinha enchente e saia levando criação, levando tudo”. Zé Geraldo concordou com o pensamento de Roberto e criou um poema chamado “Duas Cachaças”, que resume sua história de vida e o recitou no encontro.

Essa conversa na íntegra pode ser assistida nas redes sociais do projeto, Instagram e Facebook e no canal do Sempre um Papo no Youtube, por meio do link: https://www.youtube.com/watch?v=IXeeYesajTc

(*) – Estagiária sob supervisão de Jozane Faleiro