Papel higiênico

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Eu tenho um amigo que tem uma mania estranhíssima: não vai ao banheiro sem ter alguma coisa pra ler. O negócio dele é tão maluco que uma vez nós fomos para a praia, juntos. Ele tava doido para ir ao banheiro. Chegamos na casa, fechada há muitos meses, não tinha um jornal, uma revista, nada para ele ler no trono. Ele vasculhou a casa inteira e achou… Uma bula de remédio velha. Foi a salvação do rapaz. Agora, vem a notícia que um grupo de teatro da Espanha está imprimindo poemas nos rolos de papel higiênico. Tudo começou em um espetáculo teatral onde a cenografia eram rolos poéticos. A peça fez tanto sucesso que ganhou prêmios e mais prêmios por lá. E a brincadeira virou negócio sério. Eles estão produzindo cerca de duzentos rolos por dia e as encomendas não páram de chegar – inclusive do brasil. Bem, é certo que o trono é um bom lugar para ler. Agora, poema no rolo de papel higiênico? Eu não quero ser escatológico, mas faço uma pergunta: você começa a ler o poema. Aí vai desenrolando o rolo. Corta o pedaço que você leu…. Pois é… Aí, você acaba. Mas o poema, não. O que que você faz?? Desenrola o rolo todo para terminar o poema? E faz o quê com aquilo? Enrola de novo? Bem, e o pior: cada rolinho, sai por dez reais a unidade. Fora o frete…. Não é melhor levar aquele objeto, o livro, pro banheiro? www.literaturaenpapelhigienico.com