Rubem Alves continua, aos oitenta e poucos anos, encantando multidões. Eu já passei todo tipo de aperto com ele. Em primeiro lugar, quando lançamos um de seus livros, há anos atrás, haviam mil e setecentas pessoas dentro do grande teatro do palácio das artes e mais duas mil, fora. O que nós fizemos? Como cinema, ou seja, duas sessões – uma às sete e meia e outra às nove horas da noite. Em outra vez, o evento foi em uma quadra, dentro de um grande colégio de BH. Como o palco estava instalado na quadra, tivemos que entrar por trás do público. Parecia partida de futebol, mesmo, com arquibancada lotada. Eu sentei na mesa, ao lado do Rubem, olhei aquele povo todo, olhei para a única saída, lá no finzinho… E já comecei a tremer… Como vamos sair daqui????? Bem, terminou o evento, e o público, na maioria feminino, pulou em cima do Rubem. Conseguimos, graças a três seguranças, sair da quadra. Mas quando saímos, dezenas de pessoas fizeram uma espécie de corredor polonês, de um lado e de outro. Sabe o que eu fiz? Virei pro Rubem e disse: – Querido, corre !!! E começamos a correr, com a mulherada atrás, pelo jardim do colégio. Nesse meio tempo, ele me perguntou: – Mas Afonso, que loucura… O que este pessoal quer ??? Eu respondi, mais desesperado que ele: – Sei lá, Rubem, corre !!!