Eu estava indo pra São Paulo e queria dar um livro de poemas para um amigo. Fui às duas livrarias de Confins e sabe o que encontrei? Nem um livro de poemas. Eu não estou falando de poetas novos, não. Eu falo de Fernando Pessoa, Drummond, Ferreira Gullar, os nossos maiores. Indignado, eu perguntei para a gerente: o que se passa, moça? A poesia é proibida em aeroportos? Ela veio com o chavão: meu senhor, livro de poesia não vende. Então, finalmente, eu encontrei os culpados. Vocês são os culpados, meus caros leitores/ouvintes. Não se vende livros de poemas nas livrarias de aeroporto porque vocês não compram. Portanto, proponho uma atitude poética, editorial e econômica. Ao chegar em uma livraria de aeroporto – qualquer uma – perguntem: tem livros de poemas? Não? Então não compro mais aqui. Topam? Livraria que não tem livro de poesia não merece nossa consideração. Afinal, poesia faz bem para alma e para atraso de avião.