As pesquisas indicam que 55% dos leitores do Brasil são mulheres. Eu dedico esta quinta-feira, depois do carnaval, dia que normalmente o ano começa, às mulheres. Como antigamente, vou falar um dos sonetos mais bonitos que conheço. Chama-se O Amor e seu Tempo, do livro As Impurezas do Branco, de Carlos Drummond de Andrade. Ouçam:
O amor é privilégio de maduros
estendidos na mais estreita cama,
que se torna a mais larga e mais relvosa,
roçando, em cada poro, o céu do corpo.
É isto, amor: o ganho não previsto,
o prêmio subterrâneo e coruscante,
leitura de relâmpago cifrado,
que, decifrado, nada mais existe
valendo a pena e o preço do terrestre,
salvo o minuto de ouro no relógio
minúsculo, vibrando no crepúsculo.
Amor é o que se aprende no limite,
depois de se arquivar toda a ciência
herdada, ouvida. Amor começa tarde.
Só podia ser de Drummond, nosso poeta maior.