Caros Amigos, aqui a bela matéria de repercussão escrita pelo jornalista Gustavo Werneck,
publicado na edição de hoje do jornal “Estado de Minas”. Leiam, por favor.
PROGRAMA LITERÁRIO – Árvore em troca de livro
Em vez das tradicionais flores vermelhas, mudas de árvores e conscientização ecológica. Centenas de pessoas participaram, ontem à noite, na Praça da Liberdade, na Região Centro-Sul de BH, da festa São Jorge de Livros e Rosas, em comemoração ao Dia Mundial do Livro. Celebrado sempre em 23 de abril, o evento é um convite à população para trocar obras literárias pelos botões perfumados. Para neutralizar os impactos humanos e o aquecimento global, este ano a organização preferiu distribuir 300 exemplares de ipê-branco, sibipiruna, mogno, ameixa, goiaba e munguba, doados pela Fundação de Parques Municipais.
A advogada Maria Fernanda Campos, de 24 anos, gostou da idéia e saiu carregando um pé de goiaba para plantar na casa dos pais, em Caratinga, no Leste de Minas. Em troca, doou o livro Devaneações, escrito pelo amigo Wagner Grilo. “É uma iniciativa muito legal e ajuda o meio ambiente”, disse. Mesmo com dores na coluna, a professora Marina Lúcia entrou na longa fila formada diante do coreto, que estava enfeitado com fitas coloridas e outros ornamentos. “Trouxe dicionários, volumes de uma enciclopédia. É uma festa bonita”, afirmou a professora, que gostou de ver tanta gente participar de um encontro cultural.
A consultora ambiental Carmem Lúcia Costa levou uma obra espírita e ganhou uma muda de ipê-branco, que será levada para seu sítio em Funilândia, na Região Central de Minas. “Ganhar uma árvore é mais importante do que uma flor colhida. Ela vai durar muitos anos, enquanto a outra murcha logo. Eu mesma não gosto de ganhar buquês, prefiro esta aqui”, contou sorridente, abraçada à planta cuidadosamente embalada em tecido rústico.
São Jorge de Rosas e Livros é inspirada em uma tradição espanhola, celebrada no dia em que se homenageia São Jorge, o santo guerreiro. Na mesma data é lembrada a morte do escritor Miguel de Cervantes (1547-1616), autor do clássico Dom Quixote. Em BH, a festa começou há 11 anos, período em que se arrecadaram mais de 15 mil livros, doados a bibliotecas de todo o estado. Em 2006, foram 2 mil títulos.
Promovida pelo projeto Sempre um Papo, com apoio da Prefeitura de Belo Horizonte (PBH), a festa faz também a estréia de ações de sensibilização ambiental em programas literários. “Não queremos só distribuir mudas. Árvores são derrubadas para virar papel e dar vida aos livros, e temos que nos preocupar com a neutralização dos efeitos de nosso trabalho diário. Vamos plantar árvores para incentivar o público a fazer o mesmo”, afirmou o idealizador do encontro, Afonso Borges. O evento teve a presença do músico Maurício Tizumba, do grupo folclórico Meninas de Sinhá e da Companhia de Dança Espanhola Los del Rocio.