Com o tema “Educação, antirracismo e transformação social”, encontros acontecem de 1º a 3 de dezembro, no Sesc Pinheiros, Guarulhos e Jundiaí. Programação encerra oito eixos temáticos que marcaram os 40 anos do Sempre um Papo e os 80 anos do Sesc.
O Sempre um Papo e o Sesc São Paulo encerram, em dezembro, o ciclo “Os Oito Eixos da Contemporaneidade”, realizado em comemoração aos 40 anos do projeto criado pelo jornalista Afonso Borges e aos 80 anos do Sesc. A programação final recebe a filósofa, escritora e ativista Sueli Carneiro e a cientista da computação e pesquisadora Nina da Hora, no dia 1º de dezembro, terça-feira, no Sesc Pinheiros. O ciclo prossegue com Sueli Carneiro no Sesc Guarulhos, em 2 de dezembro, e no Sesc Jundiaí, em 3 de dezembro, em encontros com mediação de profissionais do Sesc. Todas as atividades são gratuitas.
Com o tema “Educação, antirracismo e transformação social”, os encontros propõem uma reflexão sobre o papel da educação no enfrentamento do racismo e das desigualdades estruturais da sociedade brasileira. A conversa discute como o conhecimento pode contribuir para a transformação social, a partir do reconhecimento dos saberes historicamente silenciados e da valorização do pensamento negro. Aborda também os desafios da construção de uma educação antirracista, o combate ao epistemicídio — apagamento e desqualificação dos conhecimentos produzidos por grupos historicamente marginalizados — e a importância da igualdade racial para o fortalecimento da democracia.
O encontro entre Sueli Carneiro e Nina da Hora aproxima duas gerações de intelectuais negras que atuam em campos complementares. De um lado, a reflexão filosófica e política sobre racismo, educação e produção do conhecimento; de outro, os desafios da tecnologia, da inteligência artificial e da inclusão digital. A conversa permitirá discutir como a educação pode enfrentar desigualdades históricas e responder às novas formas de exclusão produzidas no ambiente digital.
Um ano de debates sobre os desafios da contemporaneidade
Realizado ao longo de 2026, o ciclo “Os Oito Eixos da Contemporaneidade” foi estruturado em 24 encontros, distribuídos em oito eixos temáticos, com atividades no Sesc Pinheiros e em diferentes unidades da capital, da Região Metropolitana e do interior paulista. A programação reuniu escritores, artistas, pesquisadores e pensadores em conversas sobre literatura, cultura, educação, ciência, democracia e questões sociais.
A temporada começou em abril com o eixo “Povos indígenas e o futuro da Terra”, reunindo Daniel Munduruku e Auá Mendes, no Sesc Pinheiros, além de encontros com Kaká Werá, em Santos, e Daniel Munduruku, em Sorocaba. As conversas abordaram os saberes indígenas, as relações com o território e suas contribuições para o futuro da sociedade.
Em maio, o eixo “A palavra e o tempo: escrevivência e resistência” recebeu Eliana Alves Cruz e Luiza Romão, no Sesc Pinheiros. Eliana também participou de encontros em Taubaté e Ribeirão Preto, discutindo literatura, memória, identidade e a força da palavra na elaboração da história.
O terceiro eixo, “Ciência, subjetividade e comunidade”, reuniu Alexandre Coimbra Amaral e Carla Akotirene, em junho, no Sesc Pinheiros. A programação prosseguiu em julho, com Alexandre Coimbra Amaral em Araraquara e Campinas, refletindo sobre as relações entre conhecimento científico, experiência subjetiva e vínculos sociais.
Ainda em julho, o eixo “Democracia, bem-viver e cidadania” contou com Marcia Tiburi, em Santo André e São José dos Campos, e com Marcia Tiburi e Cidinha da Silva, no Sesc Pinheiros. Os encontros abordaram participação social, direitos, convivência democrática e os desafios da vida coletiva.
Em agosto, o quinto eixo, “Saúde, alimentação e a cultura do cuidado”, reuniu as chefs Bel Coelho e Janaína Torres Rueda, no Sesc Pinheiros, e Paloma Jorge Amado, em São Carlos e Campo Limpo. As conversas exploraram as relações entre alimentação, saúde, memória afetiva, tradições culinárias e práticas cotidianas de cuidado.
O sexto eixo, “Cultura e identidade”, aconteceu entre setembro e outubro, com Jeferson Tenório e Rosana Paulino, no Sesc Pinheiros, e encontros com Jeferson Tenório em Mogi das Cruzes e Piracicaba. Literatura e artes visuais se encontraram em reflexões sobre memória, pertencimento, representatividade e construção das identidades brasileiras.
Em outubro, o eixo “Palco e plateia: a arte do encontro” reuniu Denise Fraga e Antonio Grassi, no Sesc Pinheiros. A programação contou ainda com Antonio Grassi, em Mogi das Cruzes, e Cacá Carvalho, em Presidente Prudente, discutindo a relação entre artistas e espectadores, a criação teatral e a experiência compartilhada entre palco e plateia.
O encerramento, em dezembro, com Sueli Carneiro e Nina da Hora, dedica o oitavo eixo à “Educação, antirracismo e transformação social”, colocando no centro do debate o enfrentamento das desigualdades raciais, a valorização do pensamento negro e o papel do conhecimento na construção de uma sociedade democrática.
Ao longo do ano, a parceria entre o Sempre um Papo e o Sesc São Paulo promoveu a circulação de diferentes vozes e perspectivas, aproximando o público de temas fundamentais da contemporaneidade. A diversidade de convidados, a gratuidade dos encontros e a presença em diferentes cidades reafirmaram o compromisso das duas instituições com a democratização do acesso à cultura e à formação de leitores e cidadãos.
Sobre Sueli Carneiro
Sueli Carneiro é filósofa, escritora e uma das principais intelectuais e ativistas do movimento negro brasileiro. Doutora em Educação pela Universidade de São Paulo (USP), é fundadora do Geledés – Instituto da Mulher Negra, organização criada em 1988 e referência nacional na defesa dos direitos das mulheres negras e no enfrentamento do racismo. Sua produção intelectual aborda as relações entre racismo, sexismo, poder, educação e conhecimento. É autora de “Dispositivo de racialidade: a construção do outro como não ser como fundamento do ser” (Zahar), obra fundamental para a compreensão do racismo estrutural e do epistemicídio na sociedade brasileira.
Sobre Nina da Hora
Nina da Hora é cientista da computação, pesquisadora e ativista brasileira, reconhecida por sua atuação nos debates sobre tecnologia, inteligência artificial, racismo algorítmico e inclusão digital. Fundadora do Instituto da Hora, dedica-se à democratização do conhecimento tecnológico e à discussão dos impactos sociais dos sistemas digitais, especialmente sobre populações negras e grupos historicamente excluídos. Seu trabalho aproxima educação, ciência e justiça racial.
Sempre um Papo – 40 anos
Criado em Belo Horizonte, em 1986, pelo jornalista e gestor cultural Afonso Borges, o Sempre um Papo completa 40 anos em 2026 como um dos mais longevos projetos de incentivo à leitura do Brasil. Ao longo de sua trajetória, promoveu milhares de encontros com escritores, artistas e pensadores nacionais e internacionais, aproximando o público da literatura e dos grandes debates da sociedade.
A parceria com o Sesc São Paulo integra essa trajetória e reafirma o compromisso das duas instituições com a democratização do acesso à cultura, a diversidade de vozes e a circulação do conhecimento. Em 2026, a celebração dos 40 anos do Sempre um Papo e dos 80 anos do Sesc proporcionou uma programação dedicada à reflexão sobre os desafios e as possibilidades de transformação da sociedade brasileira.
Serviço
Sempre um Papo 40 anos / Sesc São Paulo 80 anos
Ciclo: Os Oito Eixos da Contemporaneidade
Tema: Educação, antirracismo e transformação social
1º de dezembro de 2026 – Terça-feira
Sesc Pinheiros – São Paulo (SP)
Convidadas: Sueli Carneiro e Nina da Hora
2 de dezembro de 2026 – Quarta-feira
Sesc Guarulhos – Guarulhos (SP)
Convidada: Sueli Carneiro
Mediação: Sesc
3 de dezembro de 2026 – Quinta-feira
Sesc Jundiaí – Jundiaí (SP)
Convidada: Sueli Carneiro
Mediação: Sesc
Entrada: Gratuita
Realização: Sempre um Papo e Sesc São Paulo