As dedicatórias revelam pedaços da alma dos escritores. José Saramago esteve em Belo Horizonte, em 2000, antes de ganhar o Nobel. Foi uma noite inesquecível, com mais de duas mil pessoas presentes. Aí ele escreveu esta dedicatória, emocionada: “Felicidades, sempre. Todo meu carinho. Salve a literatura!! E o livro!! A Vida!!”. E na fila imensa, ele atendeu todos, sempre com muita cordialidade e textos diferentes.
E este mundo das dedicatórias me trouxe, recentemente, uma surpresa extraordinária – Tatyana, minha mulher, além de ser a mulher mais linda do universos, nasceu em Teresina, Piauí. Ou seja, hoje, sou meio Piauí, meio Minas Gerais. E eu sempre quis ter um livro autografado do Guimarães Rosa. Há 3 meses, consegui comprar uma segunda edição do “Sagarana”, autografada. O que tem que o caco com o quico?
Ouçam a dedicatória de Guimarães Rosa, escrita em 1958:
“À Mariazinha Santos – representante dos belos buritizais do Piauí, bondosa Amiga – com a melhor estima, esta lembrança do Guimarães Rosa”.
E mais: Amiga, escrita com caixa alta.
Dá para acreditar?