Eu admiro o Renatinho Motha há mais de 20 anos. Ele é do tempo em que os todos os bares de Beagá tinham música ao vivo. E o melhor: a gente vivia disso. Vander Lee, Alissinho, Hudson Brasil, muita gente boa. Com o tempo, passei a admirar também a sua parceira, e companheira Patrícia Lobato, dona de uma voz de veludo. Renatinho compôs, em dois mil e quatro, o álbum “Dois em Pessoa” baseado na obra do poeta maior, Fernando Pessoa. Um trabalho lindo!
Agora, no ano do centenário de Guimarães Rosa, quem recebe o presente somos nós, com o belíssimo cedê “Rosas para João”. O grande romance é aquele que nos transporta para o ambiente vivido no livro. “Grande Sertão: Veredas” é isso. A gente muda de mala e cuia pro sertão, esquece da cidade.
E o Renatinho soube traduzir, ou melhor, como dizia Haroldo de Campos, soube transcriar a lírica de Guimarães Rosa para as suas lindas e delicadas composições. Como escreveu Fernando Brant no texto de abertura no álbum: “Mergulhar nos sons e nas palavras deles é embarcar em viagem venturosa, plena de prazeres”.
Assim que for lançado, ouçam (e leiam) “Rosas para João”, homenagem de Renato Motha e Patrícia Lobato ao Centenário de Guimarães Rosa.