Olha, eu tenho dito por aí que livraria de porta de rua vai acabar. São aquelas que vendem somente livros, no máximo um cafézinho. Digo isso porque as grandes redes transformaram as livrarias em mini-shoppings. Tem cd, dvd, video-games, brinquedos, artigos de papelaria, informática, enfim, um pouco de tudo. Virou megastore – vejam, loja grande – ou seja, tiraram o livro do nome da livraria. Capiche? Digo que a livraria de porta de rua vai acabar, também, por causa da internet. Vocês querem tomar um susto: O livro “mil oitocentos e oito”, do Laurentino Gomes, custa, nas livrarias, quarenta reais. No Submarino, vinte e oito. E pode pagar de duas de quatorze. O novo livro do Zuenir Ventura, sessenta e oito, o que fizemos de nós, custa setenta e quatro reais. Tá sendo vendido por cinquenta e nove reais. E se comprar três, o frete é de graça. E pra dificultar, a estrutura de uma livraria é um dos poucos negócios que não avançaram, do ponto de vista tecnológico, ou seja, pode colocar tabela de barra, sensor ótico, computador. Mas na hora de conferir o estoque…. Desce todos os livros da prateleira, e olha, um por um. Eu não quero desanimar quem quer montar uma livraria, destas convencionais. Afinal, eu cheguei a ter cinco, em um período de dez anos. Mas se a vontade for forte, façam que nem a Rita Lee: fiquem quietinhos num canto, e esperem ela passar.