Estava fazendo o lançamento do Zuenir Ventura, em Porto Velho, quando ele me contou que um de seus professores, na juventude, foi ninguém menos que o poeta Manuel Bandeira. Vejam que honra…mas disse também que, apesar de ser um bom professor, tinha na voz a marca da tuberculose. Uma voz grossa, fechada.
Por coincidência, acabo de ser informado que a FLIP – Festa Literária de Paraty – vai ter com homenageado Manuel Bandeira. Uma grande idéia. Principalmente, porque sua obra poética anda meio esquecida. E mais ainda: Manuel Bandeira foi múltiplo: ele foi crítico literário e de artes plásticas, professor, cronista, autor de livros infantis e tradutor de obras clássicas.
E boa parte desta produção está sumida. Exemplos: livros essencias como “Itinerário de Pasárgada” e “Andorinha, Andorinha” não são encontrados. E sua obra poética vai muito além de “A Cinza das Horas” e “Libertinagem”.
E só para lembrar: Manuel Bandeira teve muitos de seus poemas musicados. Entre eles, o que eu considero uma das mais lindas canções da MPB: Azulão, parceria sua com Jayme Ovalle que foi biografado por Humberto Werneck no livro “O Santo Sujo”.
Fiquem com um dos poemas que mais gosto:
Arte de amar
Se queres sentir a felicidade de amar, esquece a tua alma.
A alma é que estraga o amor.
Só em Deus ela pode encontrar satisfação.
Não noutra alma.
Só em Deus — ou fora do mundo.
As almas são incomunicáveis.
Deixa o teu corpo entender-se com outro corpo.
Porque os corpos se entendem, mas as almas não.