Imaginem, voltei à infância, agora, por uma notícia de falecimento. Morreu, na Espanha, aos 82 anos, a escritora Corín Tellado, autora de mais de 4.000 novelas curtas e que já vendeu 400 milhões de exemplares, desde que publicou o primeiro, em 1946. Eu adorava folhear, nas bancas de jornal, aqueles livros de bolso coloridos, com desenhos de casais se abraçando. Eu confesso que li escondido muitos destes livros, onde amor, ciúme, inveja e traição se misturavam a um erotismo sempre muito reprimido. Esta espanhola impressionante escreveu todos os dias de sua vida, sob um ritmo inacreditável. As suas histórias foram adaptadas para rádio, tv, cinema e até para a internet. Mas ela cometeu um pecado: escreveu simples, para pessoas simples. Mas o seu pecado está perdoado: Corín Tellado vai direto pro céu com direito a recepção de gala feita por São Pedro e São João. No fundo, Manuel Bandeira, recitando o poema “Irene no Céu”, de nome trocado:
Imagino Corín entrando no céu:
— Licença, cariño!
E São Pedro bonachão:
— Entra, Corín. Você não precisa pedir licença.