Recebi três histórias de um amigo, ainda a respeito das dedicatórias.
O grande poeta Augusto Frederico Schmidt cometeu uma deslavada homenagem a sua mulher, Yedda, no livro “Canto da Noite”,
“A Yedda, para que a poesia torne à sua origem”. Lindo, né?
Uma prova de admiração Vinícius de Moraes escreveu em um exemplar de um de seus primeiros livros:
“A Antonio Candido, com a mão estendida para a amizade”.
Mas há uma história famosa que corre no disse-me-disse da literatura mineira, na Belo Horizonte do meio do século.
Certo dia, num sebo, um tal escritor passou pela terrível experiência de encontrar um livro seu, que havia sido presenteado a um outro escritor, igualmente inexpressivo.
Na acanhada cena literária da cidade, os dois mantinham uma cordial distância – na verdade, eles se detestavam. Enfurecido ao ver a sua famigerada obra rejeitada, não vacilou : comprou o seu próprio livro, no sebo, que tinha a seguinte dedicatória:
“A Fulano de Tal, atenciosamente, oferece o Beltrano”.
E mandou de volta pro desafeto, com a seguinte frase, escrita embaixo:
“Com renovadas atenções, oferece, novamente, o Beltrano”.
Bom, né?