Há uns dez anos atrás, fui lançar em Ouro Preto o poema-plaquete “Finismundo’ do poeta e tradutor Haroldo de Campos, um dos criadores da poesia concreta. Conosco, no carro, hiper apertados, um casal amigo, Carlinhos e Eleonora. Tava em plena Guerra do Golfo e nós fomos fazendo piadinhas com o Alá, o Deus islâmico. Descobrimos que não foi uma boa idéia.
O carro estragou nos primeiros trinta quilômetros. Levamos na brincadeira. Veio um táxi de Congonhas, nos pegou e continuamos a viagem. Ao chegar em Cachoeira do Campo, o táxi parou e o motorista falou aquela frase horrível : “Está pegando fogo !!!”
Bem, saiu todo mundo correndo e quando paramos, há uns trezentos metros do carro… Quéde o Haroldo??? Como ele era muito corpulento, não conseguiu sair! Bem, volta aqui o herói, com o carro todo cheio de fumaça, tira o Haroldo do carro.
Resumo: em absoluto silêncio, pegamos outro táxi e chegamos, finalmente, a Ouro Preto. Pois não é que quando o táxi parou, o freio de mão não funcionou e descemos mais uns três metros, ladeira abaixo?
Bem, ficou uma lição: nunca brinque com o Deus dos outros. Ainda mais quando o título do livro a ser lançado é “Finismundo”…