Guimarães Rosa

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João Guimarães Rosa, mineiro de Cordisburgo, faria cem anos de vida em junho. É tempo de comemoração. Afinal, podemos dizer, sem sombra de dúvida, que ele é o nosso Pelé da literatura de Minas Gerais. No campo das letras, jogava em diversas posições. Começou jogando de goleiro, com um belo livro poemas, chamado “Magma”. O meio de campo é o lugar dos craques, como diz Chico Amaral, na voz de Samuel Rosa. Ali, fez contos e novelas inesquecíveis, nos livros “Sagarana”, “Corpo de Baile” e “Tutaméia”. Não dá para esquecer dos belíssimos passes de oitenta metros, em “A hora e a vez de Augusto Matraga” e “A Terceira Margem do Rio”. Mas foi como centro-avante, assim como o rei Pelé, Ele ultrapassou os mil gols com o romance “Grande Sertão: Veredas”. Aí, Guimarães Rosa deixou sua marca para a eternidade. Eu exagero: nenhum trabalho da criação artística conseguiu expressar tanto as nossas minas gerais como em “Grande Sertão: Veredas”. As histórias de Riobaldo são as histórias da alma humana e suas contradições. Até mesmo no amor – pois não é que Riobaldo perde a misteriosa Diadorim? E vocês sabem o que quer dizer Diadorim? Deo-dorina, presente de deus, ou seja, a nossa alma.