Eu já passei muito aperto na vida. Mas o mais difícil, disparado, foi em mil novecentos e noventa e oito, no auditório do BDMG cultural. O maior pânico de quem realiza eventos é quando o convidado falta. Deus me livre, deixa até eu bater na madeira… Pois aconteceu – eu consegui um fato inédito, até hoje: trazer Millôr Fernandes para uma palestra e lançamento do livro. Para desfazer qualquer suspeita, eu passei um dia em seu estúdio, no rio de janeiro, fazendo uma entrevista e combinando tudo. E tudo foi confirmado. Pois não é que na noite anterior, me liga uma secretária do dito cujo, dizendo que ele não pode ir? Isso com tudo divulgado, grandes matérias nos jornais, convites distribuídos… Olha, um horror. Eu passei o dia todo telefonando para os amigos do Millôr, pedindo para que ele mudasse de idéia. Nada. Ele não atendia telefone… Sumiu, escafedeu-se. Aí eu fui pras rádios e tevês, pedindo para avisar do cancelamento. Consegui alguma coisa…… Mas à noite… Vocês imaginem… Mais de trezentas pessoas querendo destruir o BDMG… O que eu fiz? Coloquei um cartaz, bem grande com o telefone da casa do Millôr, pedindo para que o público ligasse para ele. Não deu outra: uma semana depois, ele já estava de telefone novo… E eu nunca mais falei com ele…