Vou falar sobre o livro “O rabo de foguete – os anos de exílio”. É o relato autobiográfico do tempo de exílio do poeta, crítico e dramaturgo maranhense José Ribamar Ferreira, o Ferreira Gullar. Em um ritmo de romance, gullar narra como foi forçado a fugir do Brasil, incialmente escondendo-se em casas de amigos ao descobrir que era um dos procurados pelo regime militar. Aí, a saída foi o aeroporto. Passou por diversos países, fixando residência em quatro: Rússia, Chile, Peru e Argentina. Gullar fala com especial emoção da avassaladora paixão que ele teve em Moscou. É um relato pessoal, biográfico. Mas com ele, um pedaço da história do Brasil e da América Latina. Um pedaço ruim, dos anos de chumbo. E o final, a tragicomédia. Ao retornar ao Brasil, em setenta e sete, é preso imediatamente. E descobre, para o espanto de todos, que o processado era sim, Ribamar Ferreira, mas um camponês maranhense, que se ligou à luta armada. E não ele. Uma bela leitura, este “rabo de foguete” e segue uma vida que margeia a história da literatura brasileira e dos movimentos sociais. Longa vida a Ferreira Gullar.