Biblioteca póstuma

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Bem, a minha organização de biblioteca está dando o que falar. Humberto Werneck me informa coisas absurdas. Vejam só: dos quatro mineiros, só o Paulo não está no Cemitério São João Batista. Paulo Mendes Campos, autor daquele prólogo onde ele relaciona os amigos que “puxavam angústia” com ele, em Belo Horizonte, está enterrado no Bonfim.
O consolo é que no Bonfim está o bom Murilo Rubião, João Ettiene Filho e Francisco Iglésias, entre muitos outros escribas. Além do mais, francamente, espectro não tem noção de espaço / tempo. Quando o Otto, o Hélio ou o Fernando Sabino sentirem saudades, eles que venham pra cá, visitar o Paulo, uai.
Agora, experiência literária mórbida mesmo, viveu o jornalista Humberto Werneck. Tem um xará dele, morando na quadra 49, sepultura 143, do Cemitério do Bonfim. Já imaginaram olhar pra uma lápide e ler o seu nome?? Pois é. Eu já vivi esta experiência. Afonso Borges, em Araxá, é sobrenome. O cemitério de lá tem uma ala Afonso Borges. É João Afonso Borges, Cláudia Afonso Borges, de dar calafrios.
, para encerrar, uma curiosidade, esta mais angelical. O Bonfim tem uma lista dos dez túmulos mais visitados. Em décimo lugar, está Carlos Flávio. Pois vocês sabem quem é? O filho de Carlos Drummond de Andrade com a Dolores, nascido na metade da década de 20, e que viveu apenas meia hora. Sabem porque o túmulo do anjinho é tão visitado? Não faço a mínima idéia.
Amanhã conto a história do Rubem Braga e sua luta para ser cremado.