Como você organiza a sua biblioteca? Vai juntando os livros, lá, e pronto, né? Pois eu decidi organizar a minha biblioteca por amizade. Comecei colocando os quatro mineiros juntos: Fernando Sabino, Hélio Pellegrino, Otto Lara Rezende e Paulo Mendes Campos. Aí achei uma primeira edição do “Ex-Mágico” e senti que Murilo Rubião ia ficar muito bem nesta prateleira. O mesmo fiz com o querido professor Francisco Iglésias, que chegou a trocar cartas diariamente, com o Otto, durante um período. Quando encontrei Os Tristes, de João Ettienne Filho, a quem eles chamavam de Mestre, centralizei o livro, aconchegado.
Foi quando eu descobri, meio perdido, o livro Transumanas, de Paulo Mendes Campos, editado em 77, pelo Pasquim. É um livro de pequenas histórias, frases e pensamentos divertidos. Como a definição de “mineiro de BH: moderninho por fora, barroquinho por dentro”.
E eu inventando um jeito de organizar a minha biblioteca, quando, pasmo, leio o que Paulo escreveu, no prólogo deste livro. Ouçam:
“Neste almanaque escrevo os nomes dos que comigo puxavam angústia nas madrugadas de Belo Horizonte, mas nunca perderam o bom humor: Otto Lara Resende, Hélio Pellegrino, Fernando Sabino, Murilo Rubião, João Etienne Filho, Emílio Moura, Francisco Iglésias, Jair Rebelo Horta, Autran Dourado, Wilson Figueiredo, Marco Aurélio Moura Matos, Jacques do Prado Brandão, Sábado Magaldi, Cyro dos Anjos, Octávio Melo Alvarenga e, numa semana festiva, Mário de Andrade.”
Vocês entenderam, agora, porque eu estou organizando a minha biblioteca por amizade? Vou até trazer o Mário de Andrade, autor do antipático Noturno de Belo Horizonte pra mais perto dos mineiros. Ele vai ter com quem conversar, de noite.