Palíndromos

Ouvir... Acesse o áudio !!!

“Socorram-me, subi no ônibus em marrocos”
“A base do teto desaba”

Estas frases são palíndromos, palavras ou números que permanecem iguais quando se lê de trás pra frente. Parente da matemática, o palíndromo é uma verdadeira mania. O veterano palindromista Rômulo Marinho que escreveu o livro “Tucano na CUT”, é um craque. É autor de pérolas como “o rio é de oiro” e “até o papa poeta”.
Reza a lenda que o palíndromo foi inventado na Grécia. Um filósofo sátiro resolveu fazer graça com o chefe de plantão. Resultado: foi cruelmente assassinado. É, portanto, assim como a linguagem, uma arte perigosa. Mas é muito divertida. Existem os naturais, como “merecerem” e “mil e dois”, os artificiais, que formam outras palavras, como “amor” e “marrocos” e, independente de terem sentido ou não, é uma forma interessante de brincar com a palavra e da estrutura da linguagem. Tentem.
Encerro com o mais antigo que se tem notícia, em latim: SATOR AREPO TENET OPERA ROTAS. Otto Lara Resende contava que as beatas do interior de Minas colocavam este palíndromo em patuás, usados para curar doenças. Ninguém sabe ao certo o que quer dizer. Eu fico com a tradução do bem: “Deus, Criador, mantém com cuidado o mundo em sua rota”.