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José Murilo de Carvalho reflete sobre o retorno do protagonismo militar

17 de julho de 2019

 

Um dos mais importantes historiadores do país e imortal da Academia Brasileira de Letras, José Murilo de Carvalho é o convidado do Sempre Um Papo para o debate sobre o livro “Forças Armadas e Política no Brasil” (Todavia), obra necessária para reflexão com o retorno do protagonismo militar. O autor também falará sobre seu mais recente livro “Em Jovita Alves Feitosa: Voluntária da Pátria, Voluntária da Morte” (Chão Editora), no qual reproduz e analisa preciosos documentos de época, que compõem um quadro rico e complexo da trajetória da jovem cearense de 17 anos que decidiu alistar-se, vestindo-se de homem, para atender ao chamado do Governo brasileiro que recrutava voluntários para lutar na Guerra do Paraguai. O evento será no dia 29 de agosto, quinta-feira, às 19h30, na sala Juvenal Dias do Palácio das Artes, com entrada gratuita.CAPACIDADE DA SALA: 170 LUGARES. ENTRADA POR ORDEM DE CHEGADA.

 

“Forças Armadas e Política no Brasil”
Originalmente publicada em 2005 e há muito esgotada, esta reunião de ensaios ressurge acrescida de um texto inédito: uma reflexão sobre as transformações das forças militares nos últimos trinta anos. José Murilo analisa o percurso do Exército politizado desde o Império, passando pela Primeira República, Estado Novo, e ditadura militar. Hoje, os sinais da interferência dos militares na política estão por toda parte. E após o resultado das eleições de 2018, essa reflexão se torna mais urgente do que nunca.

 

“Em Jovita Alves Feitosa: Voluntária da Pátria, Voluntária da Morte”

 

Em 1865, chegou a Jaicós, no interior do Piauí, a notícia de que o Governo brasileiro recrutava voluntários para lutar na Guerra do Paraguai. Ali, a cearense Jovita Alves Feitosa, de dezessete anos, decidiu alistar-se, vestindo-se de homem. Seu desejo era ir a campo vingar as mulheres brasileiras maltratadas pelos paraguaios no Mato Grosso. Descoberto o disfarce, Jovita foi, ainda assim, aceita como voluntária pelo presidente da província, no posto de segundo-sargento. Transformada em celebridade do dia para a noite, fez um percurso triunfal de Teresina ao Rio de Janeiro. Mas, por fim, a Secretaria da Guerra recusou sua incorporação como combatente: às mulheres cabia somente o trabalho voluntário como enfermeiras.

 

Frustrada, Jovita voltou a Teresina, mas acabou retornando ao Rio de Janeiro, onde passou a viver como prostituta. Reapareceu nos noticiários em 1867, ao suicidar-se com uma punhalada no coração. A razão imediata teria sido a partida do amante galês para a Inglaterra. Depois de longo silêncio, nos últimos 25 anos o nome de Jovita reapareceu em livros que mesclam mito e realidade. A prostituição e a morte por suicídio de certa forma desapareceram do imaginário nacional e para muitos ela morreu em batalha. Sua memória foi também recuperada como heroína da luta das mulheres pela igualdade de direitos. Em dezembro de 2018, Jovita foi oficialmente inscrita no Panteão dos Heróis da Pátria.

 

Em Jovita Alves Feitosa: voluntária da pátria, voluntária da morte, estão reproduzidas uma pequena biografia datada de 1865 (que inclui uma entrevista com Jovita), notícias de jornal, um depoimento dado à polícia, o atestado de óbito, diversos poemas escritos em sua homenagem, fotografias. Estudando os limites entre fato e mito, o autor busca entender os sonhos e a luta da voluntária — e as relações que se estabeleceram entre ela e a sociedade de seu tempo.
José Murilo de Carvalho é professor emérito da Universidade Federal do Rio de Janeiro. Ph.D. pela Universidade de Stanford, onde defendeu tese sobre o Império Brasileiro, lecionou também na Universidade Federal de Minas Gerais. Foi professor e pesquisador visitante nas universidades de Oxford, Leiden, Stanford, California (Irvine), Londres, Notre Dame, no Instituto de Estudos Avançados de Princeton e na Fundação Ortega y Gasset, em Madri. Publicou e organizou 19 livros e mais de cem artigos em revistas. É membro da Academia Brasileira de Ciências e da Academia Brasileira de Letras.

 

Sempre Um Papo com José Murilo de Carvalho
Dia 29 de agosto, quinta-feira, às 19h30, na sala Juvenal Dias do Palácio das Artes – Avenida Afonso Pena, 1537, Centro. ENTRADA GRATUITA
CAPACIDADE DA SALA: 170 LUGARES. ENTRADA POR ORDEM DE CHEGADA.
Informações: 31 32611501 – www.sempreumpapo.com.br

 

Informações para a imprensa :Jozane Faleiro – jozane@sempreumpapo.com.br – 31 992046367

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