Orfãos do Eldorado

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“Orfãos do Eldorado” foi um livro de encomenda. Essa é grande surpresa, em se tratando de Milton Hatoum, autor dos inesquecíveis “Relato de um certo oriente”, “Dois irmãos” e “Cinzas do norte”. Uma editora estrangeira pediu ao Milton uma pequena novela, de vinte e cinco mil palavras, mais ou menos cem páginas de livro, estruturada nos mitos e lendas da sua terra natal, a Amazônia. Ele disse que nunca mais topa outra empreitada desta, tamanho o sofrimento do tal prazo de entrega. Mas ainda bem que surgiu esta proposta. “Orfãos do Eldorado” parte das memórias deste bom Manaura, onde as lendas são fartas. Mas logo se descola deste mundo fantástico e vai para onde o autor concentra sua literatura: a dificil vida dos habitantes do norte do país. Mas a lenda sustenta narrativa, onde a paixão de Dinaura, uma órfã das carmelitas de vila bela, moça que parece filha do mato, mas que gosta de literatura, enfeitiça o personagem principal, arminto e sonha com a cidade encantada, que é o mito da Atlântida, do Eldorado. Perguntei pra ele se não era um pouco Gabriel García Márquez, com seu “cem anos de solidão”. Ele respondeu, espertamente: uai, Manaus é Macondo. Ou Macondo, é Manaus. Afinal, o próprio gabo, quando visitou a cidade, anos atrás disse: estou me sentido muito bem aqui… Leiam “Órfãos do Eldorado”. Vale a pena.