Seminários

O Sempre Um Papo e a Casa Fiat de Cultura recebem a filósofa Marcia Tiburi e a psicóloga Andréa Costa Dias para o seminário “Sociedade Fissurada”, termo que sugere a experiência de uma sociedade mediada por sensações. De preferência, sensações fortes, próximas da excitação. Emoção próxima da excitação torna-se mercadoria. E, se é mercadoria, tem preço, tem valor, é vendida. A fissura pode ser por drogas, por objetos, por tudo, por dinheiro, mas a qualquer custo, passando por cima de ética e valores. Estes e outros assuntos serão abordados no evento, que está dividido em quatro temas:

  • “Sociedade Fissurada – Ética, Estética e Política da Sensação”
  • “As Drogas e o Discurso da Ciência”
  • “A Fissura Nossa de Cada Dia”
  • “O Que Nos Aproxima dos Fissurados?”

O seminário será transmitido online, ao vivo, via streaming. Os encontros ocorrem nos dias 13 e 14 de junho, quarta e quinta-feira, de 19h às 22h30, na Casa Fiat de Cultura.

O Seminário é uma realização da Casa Fiat de Cultura e do Sempre um Papo com patrocínio da Fiat, New Holland e da Fiat do Brasil, por meio das leis Estadual e Federal de Incentivo à Cultura.

“Sociedade Fissurada” é o termo para expressar a experiência de uma sociedade mediada por sensações. Sensação é tanto a percepção corporal em seu sentido mais banal, quanto um produto construído para fazer sucesso. Seja o espetáculo dos meios de comunicação, sejam as drogas ou o capital a qualquer custo, vivemos uma época em que o maior valor é o da excitação. Emoções fortes tornam-se mercadorias. E as mercadorias, como drogas, só valem se promoverem afetos. Trocamos a ética pela estética enquanto ao mesmo tempo nos tornamos socialmente frios, incapazes de reconhecimento do outro. Se estamos todos viciados em emoções, podemos falar de um colapso do desejo?

“Sociedade Fissurada” vai se transformar em livro, editado pela Editora Record.


Andréa Costa Dias e Marcia Tiburi
Marcia Tiburi é graduada em filosofia e artes e mestre e doutora em filosofia pela UFRGS. Publicou diversos livros de filosofia, entre eles “As Mulheres e a Filosofia” (Ed. Unisinos, 2002), “Mulheres, Filosofia ou Coisas do Gênero” (EDUNISC, 2008), “Filosofia em Comum” (Ed. Record, 2008), “Filosofia Brincante” (Ed. Record, 2010), “Olho de Vidro” (Ed. Record, 2011) e “Filosofia Pop” (Ed. Bregantini, 2011). Publicou também três romances e se prepara para lançar o quarto em junho deste ano. É professora do programa de pós-graduação em Educação, Arte e História da Cultura da Universidade Mackenzie e colunista da revista Cult.

Andréa Costa Dias é psicóloga clínica, graduada pela Universidade de São Paulo (IPUSP), possui especialização em Álcool e Outras Drogas e Doutorado em Saúde Mental, pela Universidade Federal de São Paulo (Unifesp). Em breve, lançará o livro “Crack – Reflexões para Abordar e Enfrentar o Problema”, pela Editora Record.


PROGRAMAÇÃO E TEMAS
“Sociedade Fissurada”, com Marcia Tiburi e Andréa Costa Dias

Local: Casa Fiat de Cultura – Rua Jornalista Djalma Andrade, 1.250 – Belvedere
Informações: (31) 3289-8900 – www.casafiatdecultura.com.br / www.sempreumpapo.com.br

Dia 13 de junho
19h – “Sociedade Fissurada – Ética, Estética e Política da Sensação”

Dizer “Sociedade Fissurada” implica que a fissura concerne a todos nós. Mas de que “fissura” se fala? Conceito que pertence à gíria tanto quanto à terminologia científica que se ocupa da questão das drogas, o que o termo vem nos revelar? Na literatura, no cinema e na filosofia, a fissura surge como um elemento complexo que tem estatuto de expressão e, ao mesmo tempo, de mutismo. Quem fala e quem não pode falar sobre a fissura? Uma desmistifição dos termos a ela relacionados, vício e droga, nos permitirá entender melhor as armadilhas do moralismo em uma sociedade que não usa espelho.

20h30 – “As Drogas e o Discurso da Ciência”

A noção que temos da questão da droga é amplamente ditada por uma modalidade de discurso que goza de grande prestígio na atualidade, a saber, o discurso da Ciência. Por ele, os saberes produzidos ganham estatuto de neutralidade – “evidência científica” – e a droga figura como um absoluto dotado de propriedades que desconsideram e silenciam o contexto e as condições nas quais ela se insere bem como e, principalmente, o sujeito que se droga.

Dia 14 de junho
19h – “A Fissura Nossa de Cada Dia”

A fissura sempre é estética e moral. Por isso, ela configura uma política micrologicamente instaurada no cotidiano. A partir de exemplos concretos que vão do ato de fumar ao ato de comprar, do consumo de café ou de anfetaminas ao uso de bebidas alcoólicas, do modo como certos países tratam o contemporâneo tema da maconha ao modo como tratam o uso da televisão e da internet, podemos perceber que todos participamos de uma maneira ou de outra da fissura. Ou seja, cínica ou honestamente. Enfrentar a autorreflexão sobre o estado das coisas é um passo para a compreensão da verdade de nossos comportamentos em relação a uma vida sustentada no uso de substâncias.

20h30 – “O Que Nos Aproxima dos Fissurados?”

Será que as diversas manifestações de adesão metódica e reiterada a um objeto, comportamento ou modo de vida podem ser consideradas “aberrações”, anomalias sociais e, portanto nada têm a ver com a ordem social vigente? É importante nos perguntarmos a respeito do que os fissurados nos revelam acerca da nossa realidade cotidiana, ou seja, em que medida há uma estreita ligação dos vícios com os ideais sociais atuais dos quais todos nós – sabendo ou não – participamos.


Informações para a imprensa:

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Jornalismo: Rômulo Medeiros: (31) 9204-1837 – romulo@sempreumpapo.com.br

Casa Fiat de Cultura
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