José Eduardo Agualusa – 24/7 – BH

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Sempre Um Papo recebe Agualusa

O escritor angolano José Eduardo Agualusa é o convidado do Sempre Um Papo para o debate e o lançamento do romance “A Sociedade dos Sonhadores Involuntários” (Tusquets – Ed.Planeta), no dia 24 de julho, segunda-feira, às 19h30, no auditório da Cemig, com entrada gratuita.

Em “A Sociedade dos Sonhadores Involuntários”, o jornalista Daniel Benchimol sonha com pessoas que não conhece. Moira Fernandes, artista plástica moçambicana radicada na Cidade do Cabo, encena e fotografa os próprios sonhos. Hélio de Castro, neurocientista brasileiro, desenvolveu uma máquina capaz de filmar os sonhos de outras pessoas. Hossi Kaley, hoteleiro, com um passado obscuro e violento, tem com os sonhos uma relação muito diversa e ainda mais misteriosa: ele pode caminhar pelos sonhos alheios, ainda que não tenha consciência disso.
O onírico e seus mistérios acabam por unir estes quatro personagens numa dramática sucessão de acontecimentos, desafiando e questionando a sociedade e suas regras, além da própria natureza do real, da vida e da morte.
 
“Agualusa é um tradutor de sonhos.  A sociedade dos sonhadores involuntários é um romance tecido com os mais delicados materiais da poesia.”
– Mia Couto

José Eduardo Agualusa é escritor. Nasceu no Huambo, Angola, em 1960. Estudou Silvicultura e Agronomia em Lisboa, Portugal. Escreve crônicas para o jornal O Globo. É membro da União dos Escritores Angolanos. Vencedor do Independent Foreign Fiction Awards por O vendedor de passados e finalista do Man Booker International Prize por Teoria geral do esquecimento, já foi traduzido para quase 30 idiomas.

Leia um trecho de A sociedade dos sonhadores involuntários:
 
— Desculpe. Hoje temos muito movimento. Estava a dizer-me que sonhou comigo…
Atrapalhei-me:
— Sim, sei que deve parecer um pouco estranho.
— Eu vestia um casaco roxo?
— Um casaco roxo?!
— Não?
— Não!
— Ainda bem. Fico mais sossegado. Houve um tempo em que as pessoas sonhavam comigo. Mas acontecia apenas quando eu estava por perto. Eu costumava aparecer nos sonhos delas vestido com um casaco roxo.
— Não compreendo…
Hossi recostou-se na cadeira.
— As pessoas sonhavam comigo quando eu estava por perto. Os sonhos, ah os sonhos! Uma amiga disse-me uma vez que sonhar é o mesmo que viver, mas sem a grande mentira que é a vida. Talvez seja isso. Talvez seja o contrário disso. Nem sei. Acontece-me, por vezes acreditar numa determinada ideia e no oposto dela com idêntica paixão, ou sem paixão nenhuma. Nos últimos anos, aliás, venho perdendo cabelos e paixão. Também venho perdendo ideias e ideais. Talvez seja a velhice, talvez seja o nirvana. O que você acha?

Sempre Um Papo com Agualusa
Dia 24 de julho, segunda-feira, às 19h30, no auditório da Cemig (Rua Alvarenga Peixoto, 1220, Santo Agostinho – BH), com entrada gratuita.

Informações para a imprensa
Jozane Faleiro – jozane@sempreumpapo.com.br
31 992046367 – 35676714